Os eurodeputados interrogaram pela primeira vez a presidente do BCE, Christine Lagarde, desde o inĂcio da crise do coronavĂrus. Houve muitas crĂticas Ă extensa polĂtica de compra de ativos.
Durante o diálogo monetário trimestral, a maioria dos eurodeputados da Comissão de Assuntos Econômicos e Monetários do Parlamento Europeu concentrou-se quase exclusivamente no recente programa de compras do BCE. Os programas de compra reduzem os custos para as empresas tomarem dinheiro emprestado nos mercados de capitais. O objetivo é dar espaço às empresas para superarem bem esta crise e continuarem investindo.
Embora houvesse tambĂ©m apoio Ă polĂtica de compra do BCE para financiar o fundo de recuperação do coronavĂrus, outros citavam várias razões pelas quais o banco havia agido rápido demais e em excesso. Os opositores alertaram para o risco de fornecer dinheiro barato a multinacionais e empresas poluidoras. Atualmente, o BCE ainda compra tĂtulos de empresas que causam grandes danos Ă s pessoas e ao meio ambiente, argumentaram. SĂŁo comprados tĂtulos da Shell, Total e British American Tobacco.
“Empresas que causam danos Ă s pessoas ou ao meio ambiente devem ser excluĂdas”, afirmou o sociodemocrata holandĂŞs Paul Tang (PvdA/S&D). “Lagarde tem afirmado frequentemente que quer tornar a polĂtica do BCE mais sustentável, mas as ações ficam faltando. Justamente agora que o BCE está injetando rapidamente grandes quantidades de dinheiro na economia, Ă© importante garantir que esse dinheiro vá para o lugar certo. Empresas que causam danos Ă s pessoas ou ao meio ambiente devem ser excluĂdas.”
Paul Tang: “Infelizmente, o dinheiro do BCE Ă© em grande parte repassado aos acionistas. Shell e British American Tobacco distribuĂram cada uma €1,3 bilhĂŁo em dividendos. E o proprietário da empresa de moda Louis Vuitton recebeu mais de €600 milhões em dividendos. Assim, os bilionários ficam ainda mais ricos durante esta crise. Por isso disse a Lagarde que Ă© preciso modificar radicalmente o programa de compras.”
As massivas compras de tĂtulos do governo pelo BCE já foram criticadas anteriormente pelo Tribunal Constitucional alemĂŁo. Lagarde enfatizou que o BCE considerou a “proporcionalidade” ao tomar decisões e realizou uma “análise custo-benefĂcio” – duas palavras-chave do veredicto alemĂŁo. Ela afirmou que o BCE ajudaria o Bundesbank a mitigar as preocupações do tribunal.
Mas Derk Jan Eppink, o holandĂŞs do FvD no grupo dos Conservadores e Reformistas Europeus, disse que as enormes aquisições de dĂvida do BCE tĂŞm apenas o objetivo de sustentar os paĂses do sul.

