Os presidentes da Comissão Europeia e da Comissão do Orçamento do Parlamento Europeu reagiram positivamente à proposta de compromisso franco-alemã para um fundo de recuperação do coronavírus no valor de 500 bilhões de euros. Mas a proposta de Macron e Merkel não será adotada cegamente, literalmente.
Um fundo europeu de recuperação é urgentemente necessário para evitar uma forte recessão, disseram alguns eurodeputados durante uma reunião informal com jornalistas europeus. Em um webinar, os membros do PE acolheram a recente proposta franco-alemã para um fundo de recuperação de 500 bilhões de euros. Também reiteraram o posicionamento do PE de que tal plano de recuperação deve fazer parte dos procedimentos regulares da UE e não ser algum tipo de novo, separado cofrinho.
Johan Van Overtveldt (ECR), o presidente belga da comissão orçamentária do PE, alertou sobre a situação econômica piorada e insistiu em ações rápidas: “A Covid-19 ainda é uma grave crise sanitária, mas entendemos que ela está lentamente se transformando em uma forte recessão. Se não interrompermos a recessão o mais rápido possível, podemos nos deparar com o que eu chamo de um novo furacão financeiro”, afirmou Van Overtveldt.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, apresentará uma nova proposta tanto para um orçamento plurianual quanto para um plano de recuperação contra o coronavírus durante um debate no Parlamento Europeu na tarde de quarta-feira, 27 de maio. A Comissão Europeia não irá copiar o plano de apoio franco-alemão de 500 bilhões de euros. O novo orçamento plurianual da UE, vinculado a um fundo europeu de recuperação, deverá ser um equilíbrio entre empréstimos, subsídios e doações, conforme enfatizado em Bruxelas.
O presidente francês Emmanuel Macron e a chanceler alemã Angela Merkel conversaram na segunda-feira sobre “um plano de curto prazo” para ajudar setores empresariais e regiões a se reerguerem. Países Baixos “tomam boa nota” do plano franco-alemão, mas não dão uma reação oficial e aguardam a proposta da Comissão. É sabido que Haia é contra doações. Segundo o chanceler austríaco Sebastian Kurz, a posição dos chamados “quatro econômicos” — Áustria, Países Baixos, Suécia e Dinamarca — permanece inalterada.

