O Comissário Europeu para a Agricultura, Janusz Wojciechowski, elaborou com um grupo de especialistas europeus um primeiro esboço de um pacote de ação agrícola para enfrentar possíveis consequências da guerra na Ucrânia.
A reunião dos especialistas foi inicialmente convocada para aconselhar sobre os preços exorbitantes de ração animal e fertilizantes, mas agora deve concentrar-se sobretudo na segurança alimentar.
Segundo um comunicado de Bruxelas, ainda não foram formuladas recomendações, e o grupo de peritos reunirá novamente no dia 23 de março, dois dias após a reunião regular dos 27 ministros da Agricultura. Isso dará a Wojciechowski e ao presidente francês Julien Denormandie a oportunidade de sondar o apoio dos ministros para possíveis decisões contundentes.
O grupo de especialistas é composto por peritos nacionais, assim como representantes dos agricultores e pescadores, processadores de alimentos, comerciantes, varejistas, consumidores, serviços de transporte de alimentos e outros setores aliados.
A Ucrânia é um importante fornecedor mundial de trigo, milho e óleo vegetal. No momento, não está claro quanto da colheita de trigo de inverno do país poderá ser colhida e exportada, nem quanto das culturas de milho e girassol poderá ser plantado nesta primavera.
Wojciechowski afirmou que a Ucrânia responde por 19% do trigo na UE e 13% das suas sementes oleaginosas. A perda dessas importações terá, segundo ele, impacto negativo na pecuária europeia.
O comissário europeu para Agricultura, Janusz Wojciechowski, afirmou que o pouco que a Ucrânia conseguir colher será usado para alimentar as pessoas ainda no país, e não se espera exportação. Isso afetará principalmente países vizinhos como Estônia, Lituânia, Letônia e Polônia. Esses e outros países precisam de grãos e sementes oleaginosas para fazer pão e ração animal.
Uma das propostas vazadas é desencadear intervenção de mercado e armazenamento privado na indústria de carne suína. Além disso, não há mais resistência para abrir a reserva de crise agrícola de cerca de 500 milhões de euros, para um esquema de compensação pelos caros fertilizantes e rações.
Dependerá dos ministros decidir se haverá também um regime de compensação pelo gás caro no cultivo em estufas. Embaixadores europeus foram atualizados nos últimos dias em Bruxelas sobre as medidas em preparação.
Wojciechowski também disse anteriormente que a Comissão Europeia analisará as metas para políticas alimentares sustentáveis, incluindo do campo à mesa. Ainda não vazou em Bruxelas se a reunião de especialistas formulou uma recomendação sobre isso. Já era claro antes que o Comissário do Clima, Frans Timmermans, não quer desmontar seu Pacto Verde, mas incentiva ajustes ou melhorias.
“É necessária uma mudança de paradigma na forma como Bruxelas pensa a agricultura, começando pelos objetivos estabelecidos no Farm to Fork”, disseram as organizações europeias Copa e Cogeca no último domingo.
Agricultores europeus defendem que a Comissão Europeia desista nesta primavera da implementação de pousio e utilize todo o espaço disponível para cultivar grãos. Também não querem restrições ao uso de agrotóxicos na agricultura.
“Como o governo russo usa a segurança alimentar como arma, devemos combater isso com um escudo alimentar”, afirma Christiane Lambert, presidente da Copa e Cogeca. Dados recentes da Comissão Europeia indicam que cerca de 5 milhões de hectares de terras agrícolas em pousio na UE poderiam ser cultivados.
Também nos Estados Unidos crescem vozes para que 22 milhões de hectares de terras não utilizadas, pertencentes a áreas naturais, sejam (novamente) colocados em uso agrícola. O presidente Biden, porém, ainda não aceita essa ideia. Também os agricultores locais não demonstram entusiasmo, pois muitas dessas terras ficam em áreas que sofrem grande seca há anos.

