A promessa da Ucrânia de tomar medidas para controlar melhor as exportações não conseguiu tranquilizar vários países vizinhos.
Agora que a Ucrânia tenta abrir novas rotas marítimas no lado oeste do Mar Negro (através das águas de países da OTAN, como Romênia e Bulgária), ontem um navio cargueiro navegou pela primeira vez sobre uma mina marítima (presumivelmente à deriva). Isso aconteceu a dez milhas náuticas da costa. O navio não sofreu avarias, mas a tripulação foi retirada por meio de helicóptero.
Graças às medidas da UE, nos últimos meses produtos agrícolas ucranianos puderam ser transportados por terra através da Bulgária, Hungria, Polônia, Romênia e Eslováquia até portos da UE, embora não pudessem ser vendidos nos mercados locais. Esse acordo expirou na última sexta-feira, e a Comissão Europeia não o prorrogou pois não havia mais distorções de mercado.
Em resposta, a Hungria declarou que fecharia a fronteira para 24 produtos ucranianos. O governo polonês seguiu o exemplo e ampliou um embargo polonês ao trigo ucraniano. A questão é especialmente sensível na Polônia, às vésperas das eleições do próximo mês. A Eslováquia anunciou que proibirá a importação de quatro matérias-primas, trigo incluso, até o final do ano.
Essas medidas contrariam a política da UE de um mercado único comum.
Em reação, Kiev afirmou ter iniciado processos legais contra os três vizinhos na Organização Mundial do Comércio (OMC). O comissário europeu para agricultura Janusz Wojciechowski disse estar “bastante surpreso que a Ucrânia tivesse escolhido esse caminho”, mas os ministros da agricultura da maioria dos países da UE mostraram compreensão pela posição ucraniana no início desta semana.
Os Países Baixos querem que a Comissão Europeia tome uma atitude, já que Polônia, Hungria e Eslováquia continuam a barrar por conta própria os produtos agrícolas ucranianos. “Hoje deixei claro que essa não é a forma de tratar a Ucrânia”, disse o ministro da Agricultura Piet Adema na segunda-feira, após consulta com seus colegas da UE.
A Comissão poderia, entre outras coisas, iniciar um procedimento sancionatório que levaria os três países europeus desafiadores perante a justiça europeia. Esta poderá impor multas e sanções coercitivas, mas o processo levará pelo menos alguns meses.

