O comissário da UE Julian King (Segurança) acolhe a decisão de alguns países da UE de repatriar crianças de combatentes do IS para seus próprios países. Na Síria e no Iraque, permanecem mais de mil crianças pequenas e jovens, cujos pelo menos um dos pais é oriundo de um país da UE. Esse é um problema que deve ser resolvido rapidamente, afirmou o comissário da UE na quarta-feira em Bruxelas durante a apresentação de seu relatório anual.
Segundo o comissário da UE, quase metade das 1400 crianças principalmente jovens estão atualmente de alguma forma em campos ou em detenção, incluindo 90 crianças com origem neerlandesa. Recentemente, Países Baixos, França e Bélgica mandaram retornar algumas crianças, principalmente órfãos. O comissário King destacou que a repatriação é uma competência dos próprios países, mas que a União Europeia pode ser útil nesse processo.
Os Países Baixos afirmam que não querem retirar mães e crianças de combatentes do IS da Síria porque isso seria muito perigoso. No verão passado, dois órfãos neerlandeses jovens de um falecido jihadista foram trazidos para os Países Baixos, mas Haia chamou isso de uma exceção excepcional.
Além disso, os Países Baixos acreditam que combatentes europeus do IS devem ser julgados no Iraque, e por isso seus filhos também devem permanecer lá. Porém, há grande divisão sobre esse tema no parlamento neerlandês, assim como na coalizão de quatro partidos de centro-direita do primeiro-ministro Mark Rutte.
O Iraque não está disposto a julgar combatentes estrangeiros do IS, que atualmente estão presos em campos de detenção na Síria. O ministro das Relações Exteriores iraquiano, Mohamed Ali Alhakim, declarou isso na terça-feira ao jornal NRC Handelsblad. “Assumimos a responsabilidade por nossos cidadãos iraquianos, suas mulheres e crianças”, disse o ministro. Ele também conclamou os países europeus a assumirem a responsabilidade por seus próprios cidadãos. O ministro ressaltou que o Iraque não pode julgar estrangeiros por crimes cometidos fora do Iraque.
Se ficar comprovado que jihadistas europeus cometeram crimes no Iraque, eles poderão ser julgados, mas os países europeus não querem que a pena de morte seja aplicada nesses casos. O ministro Stef Blok (Relações Exteriores) afirma que os Países Baixos não cooperarão em processos em que a pena de morte seja uma opção. No entanto, o Iraque não está disposto a alterar a lei nesse aspecto.
Com essa posição, o Iraque parece fechar a porta para propostas neerlandesas de criação de um tribunal internacional no Iraque para julgar combatentes estrangeiros do IS. Os Países Baixos esperam assim encontrar uma solução para os combatentes estrangeiros do IS atualmente encarcerados em campos no norte da Síria.
Blok disse em resposta que não será fácil julgar neerlandeses no Iraque, mas não descarta o plano. Segundo os dados mais recentes, há atualmente 55 jihadistas adultos neerlandeses na prisão, que até recentemente eram vigiados pelas forças curdas. Após a recente invasão turca e a retirada americana da região, há um vácuo de poder e o destino dos jihadistas presos do IS está incerto.

