Os dois chefes de Estado precisam encontrar uma solução para o bloqueio iminente das passagens fronteiriças por agricultores poloneses que protestam. A Polônia ameaça entrar em conflito com as regras comerciais e alfandegárias da União Europeia a respeito disso.
Um porta-voz do governo em Varsóvia não quis revelar detalhes sobre o local e o horário do encontro entre Duda e Zelensky, citando “aspectos de segurança”. Nas últimas semanas, as relações entre os dois países vizinhos esfriaram gravemente devido à questão do trigo, em meio à acirrada campanha para as eleições parlamentares polonesas de 15 de outubro.
Na terça-feira, a Ucrânia alertou que pode recorrer à arbitragem internacional contra as restrições à exportação de seus grãos. Neste fim de semana expira uma proibição temporária, que cinco países vizinhos da UE (“os países da linha de frente”) acreditam que deveria ser prorrogada.
Devido às restrições temporárias impostas em maio, Polônia, Bulgária, Hungria, Romênia e Eslováquia puderam proibir a venda interna de trigo, milho, canola e sementes de girassol ucranianas, enquanto o trânsito para outros lugares foi permitido.
Eles argumentam que produtos agrícolas ucranianos (baratos e parcialmente subsidiados pela UE) não deveriam chegar ao mercado interno desses países. Contudo, podem ser transportados em contêineres lacrados por via rodoviária e ferroviária.
O comissário agrícola Janusz Wojciechowski concorda com isso, mas os outros comissários da UE não. Além disso, o comissário da Agricultura, de origem polonesa, acredita que a UE deveria conceder um subsídio para os custos extras de transporte do trigo ucraniano até os portos da UE.
Assim, a questão não apenas gera tensões entre Varsóvia e Kiev, mas também entre Varsóvia e Bruxelas, assim como entre os 27 comissários da UE.
O assunto foi amplamente debatido na terça e quarta-feira no Parlamento Europeu e na reunião semanal da Comissão Europeia. Grandes delegações desses cinco países também participaram. A atual “proibição de exportação” termina na sexta-feira. Para prorrogar e conceder subsídios adicionais, Wojciechowski e os poloneses e húngaros resistentes precisam de uma nova decisão da Comissão.
Segundo relatos, Bruxelas poderia concordar com uma prorrogação muito curta, de no máximo dois meses, mas amplamente após as eleições parlamentares polonesas.
O fato de que a agricultura nesses cinco países sofre prejuízos porque a UE aboliu cotas e tarifas de importação para a Ucrânia, que não faz parte da UE, é um dos principais pontos de discórdia na retórica eleitoral entre partidários e opositores da política agrícola europeia na Polônia.

