A Ucrânia pediu aos países da UE que parem com o bloqueio temporário imposto à importação de produtos agrícolas para cinco países vizinhos da UE. Essa medida termina em 5 de junho. O ministro ucraniano da Agricultura e Abastecimento Alimentar, Mykola Solskyi, insinuou em Bruxelas na terça-feira que Kiev poderá recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC) com uma queixa se necessário.
Essa proibição temporária de importação foi instituída pela Comissão Europeia depois que Polônia e Romênia iniciaram um bloqueio na fronteira para proteger seu próprio setor agrícola contra um excesso de importações ucranianas. Bruxelas prometeu compensação aos agricultores desses países e "legalizou" o bloqueio aos produtos agrícolas ucranianos. A legalidade dessa medida é questionada por alguns juristas.
Treze países da UE, incluindo Países Baixos, solicitaram esclarecimentos à Comissária de Agricultura Wojciechowski. Na verdade, esses incluíam todos os principais países exportadores agrícolas.
Com base em dados de importação e exportação de 2021 e 2022, a Comissária de Agricultura Wojciechowski procurou demonstrar que a "exportação" ucraniana para Polônia, Romênia, Hungria, Eslováquia e Bulgária aumentou de forma 'desproporcional', dando legitimidade às reclamações nesses países.
Solskyi afirmou que seu país tenta ao máximo garantir que o trânsito pelos países vizinhos ocorra da melhor forma possível. Ele pediu para a UE aguardar a próxima semana e observar se a situação melhora no início de junho. Nesse caso, a prorrogação além de 5 de junho pode não ser necessária.
O ministro ucraniano pediu para esperar pelos progressos que podem ser alcançados e, embora tenha assegurado que prefere evitar “situações mais difíceis”, não descartou a possibilidade de recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC).
“Esta não é a maneira”, garantiu o ministro ucraniano aos ministros da Agricultura da UE. Ele ressaltou que a Rússia continua tentando de várias formas impedir a exportação ucraniana pelo Mar Negro.
Na mesma linha de Solskyi, os ministros de 13 países da UE expressaram sua “profunda preocupação” com a proibição de importação de milho, trigo, colza e girassol da Ucrânia. Eles argumentam que isso “leva a um tratamento diferenciado dentro do mercado interno”.
A Comissária de Agricultura Wojciechowski afirmou que a Comissão Europeia não está disposta a revogar as medidas agora, pois isso causaria grandes problemas (de armazenamento) nos cinco países vizinhos. Nestes países, espera-se que as colheitas também sejam processadas, transportadas e vendidas. Contudo, ele disse que a Comissão Europeia está disposta a reavaliar a situação em outubro.

