A Comissão Europeia concede aos países da UE permissão para duas exceções à nova política agrícola comum também no próximo ano.
Devido à ameaça de escassez de cereais no mercado mundial causada pela guerra na Ucrânia, os agricultores europeus já puderam neste ano abdicar da rotação obrigatória de culturas e do pousio parcial.
Segundo a Comissão Europeia, um ano adicional de isenção poderia trazer para a produção cerca de 1,5 milhão de hectares extras de terras agrícolas para cultivo de cereais. Cada tonelada de cereal produzida na UE contribuirá para uma maior segurança alimentar no mundo, argumenta-se.
Esta primavera, a UE suspendeu algumas restrições na política agrícola porque, devido à guerra da Rússia na Ucrânia e às sanções ocidentais contra Rússia, uma grande parte das exportações de cereais ameaçava desaparecer. A respeito disso, há divergências de opinião e avaliações diferentes.
Ainda é incerto se e como uma possível retomada rápida das exportações pelo Mar Negro influenciará esta situação.
O Comissário da Agricultura, Janusz Wojciechowski, escreveu na última sexta-feira no Twitter que apoia a decisão. Anteriormente, ficou claro que os Comissários Frans Timmermans (Clima) e Virginijus Sinkevicius (Meio Ambiente) são contrários à flexibilização dos critérios do Green Deal. Segundo fontes em Bruxelas, foi a presidente da CE, Ursula von der Leyen, quem insistiu no adiamento temporário.
Os Estados-membros da UE podem decidir individualmente em seus planos estratégicos agrícolas nacionais (nsp) se e como irão utilizar essas exceções. Isso deverá ficar claro nos próximos meses.
A maioria dos países da UE pressionou por essa prorrogação, mas outros foram mais cautelosos. Eles acreditam que as disposições do Green Deal e os critérios climáticos não devem ser removidos nem flexibilizados na política agrícola.
Por exemplo, o ministro alemão da Agricultura Cem Özdemir entende que a capacidade agrícola extra pode ser usada para cultivar cereais para consumo humano, mas não para o cultivo de milho para soja destinada à alimentação animal para carne de consumo. Organizações agrícolas alemãs pressionaram para que não haja exceções alemãs.
Segundo notícias não confirmadas na mídia alemã, Özdemir teria aceitado a exceção para 2023 sob a condição de que o Comissário da Agricultura Janusz Wojciechowski apresente ainda este ano propostas para combater a ainda grande superprodução mundial e o desperdício de alimentos.

