A ministra Christianne van der Wal (Natureza & Nitrogênio) concorda que a natureza deve ser melhor protegida e ampliada, mas teme que, em uma Holanda densamente povoada e urbanizada, essa lei de restauração da natureza dificulte ainda mais a concessão de licenças para grandes projetos.
Em entrevista ao Financieele Dagblad, Van der Wal expressa receio de uma maior ‘judicialização’ da política ambiental, incluindo diversas licenças, procedimentos, recursos e processos. Ela percebe que o apoio à conservação da natureza está diminuindo. Não apenas os agricultores, mas toda a sociedade passou a enxergar a natureza, desde a crise do nitrogênio, como um ‘obstáculo incômodo’ para a aprovação de projetos econômicos.
No entrevista ao FD, a ministra do VVD destaca que, nos últimos meses, a presidência sueca – também por pressão da Holanda – já ajustou e suavizou o projeto de lei em vários pontos durante as negociações técnicas. Por exemplo, a elevação do nível do lençol freático em áreas de turfa, anteriormente prevista para atingir o nível do solo, foi reduzida para 20 a 40 centímetros abaixo do nível do solo. Alguns críticos temiam que ‘metade da Holanda ficaria alagada’.
Também se espera que a proposta para ‘áreas naturais no Mar do Norte’ seja modificada. A UE não designará essas áreas diretamente, deixando essa responsabilidade para os países costeiros da UE. Além disso, já está claro que a proibição de deterioração na Holanda se aplicará, no máximo, a uma área de dez por vinte quilômetros, e não a toda a agricultura ou natureza.
“Eu apoio plenamente as ambições da Comissão para a restauração da natureza. Nos últimos anos, pedimos demais da nossa natureza em nome da economia. Minha grande preocupação é como esses planos serão implementados. Precisamos de mais natureza, que deve ser gerida e mantida. Para isso, preciso muito dos agricultores. Na verdade, sem eles não conseguimos,” disse ela ao FD.
Van der Wal quer conseguir um tratamento mais flexível para a Holanda no Conselho de Meio Ambiente da UE (20 de junho em Luxemburgo). Ela já deixou claro anteriormente que a superpovoada Holanda não pode ser comparada a países da UE com territórios mais extensos, onde economia, moradia, trabalho, transporte, natureza e meio ambiente não estão tão apertados.
“Aqui enfrentamos uma luta por espaço, grandes ambições em habitação e sustentabilidade, e uma população que continuará crescendo nos próximos anos. Se essa proposta for implementada na forma atual, caminharemos para um cenário que não desejo, ou seja, a judicialização crescente da natureza,” declarou a ministra Van der Wal ao FD.
Ela espera que a ‘obrigação de resultados’ na nova lei de restauração da natureza seja reduzida a uma ‘obrigação de esforços’, ao menos ‘para países densamente povoados’. Fontes do diálogo técnico indicam que um compromisso nesse sentido também está em elaboração.
Ela concorda que é preciso pôr fim à degradação da natureza, mas parece querer evitar que, daqui a uns dez anos, a UE possa repreender a Holanda se houver sinais de deterioração em uma área de vinte quilômetros quadrados, apesar da proibição.
Na entrevista ao FD, Van der Wal não quis dizer se a Holanda votará contra a lei caso não haja novas concessões. Contudo, a ministra do VVD deixou claro que não rejeitará a proposta. “Não apoio países que querem derrubar essa lei completamente,” afirmou.

