A Alemanha assume em 1º de julho a presidência semestral do Conselho da União Europeia, substituindo a Croácia. Com isso, a chanceler federal Angela Merkel terá que lidar com várias questões importantes da UE.
Durante a presidência alemã, inicialmente os temas principais seriam o Pacto Verde Europeu, o Brexit, o orçamento plurianual europeu e a questão da migração. Mas a pandemia de coronavírus exigiu tanta atenção que as ambições tiveram que ser ajustadas, inclusive o financiamento do mega fundo de recuperação da pandemia. A prioridade agora está na coordenação do relaxamento das medidas e na mitigação dos impactos econômicos da pandemia.
Nos próximos seis meses, cabe à Alemanha alinhar todos os Estados-membros europeus. Frequentemente ficou claro que a União Europeia está longe de ser unânime. Mas a crise do coronavírus pode ser um divisor de águas. Porque, devido à necessidade financeira, agora é debatido que a UE contraia dívidas conjuntas (embora isso não deva ser chamado assim), que a UE possa instituir impostos (embora deva ser chamado de outra forma), e que em uma Conferência sobre o Futuro deve-se refletir sobre novas tarefas e competências (embora quase ninguém ouse dizer isso em voz alta). Merkel anunciou que quer aprender lições da crise do coronavírus e chegar a uma abordagem conjunta.
Tanto as negociações do Brexit quanto o quadro financeiro plurianual devem ser concluídos durante o semestre em que a Alemanha presidir o conselho. O ano de 2020 é considerado o ano de transição do Brexit, durante o qual todos os acordos, incluindo tratados comerciais, devem ser feitos. Ainda assim, o primeiro-ministro britânico Boris Johnson parece não querer saber sobre uma extensão do prazo para negociação, apesar das circunstâncias.
Um destaque da presidência alemã deveria ter sido a cúpula UE-China em Leipzig. Inicialmente, esperava-se que o encontro em setembro acontecesse por videoconferência. Mas a cúpula foi adiada, conforme anunciado recentemente. Para quando, ainda não está claro. Para Merkel, é muito importante que a Europa consiga encontrar uma posição uniforme em relação à China.
O mundo também precisa “da voz forte da Europa para proteger a dignidade humana, a democracia e a liberdade”, disse Merkel ao apresentar seus planos para a UE. A Conferência sobre o Futuro da Europa poderia ser um formato adequado para discutir propostas de reforma, por exemplo, na área de política externa e segurança.

