Será “muito difícil” alcançar um acordo até julho sobre o orçamento plurianual da UE e o fundo de recuperação da covid, devido às divergências sobre o tamanho e a distribuição dos fundos, reconhecem funcionários e diplomatas da UE em Bruxelas.
“Seria muito bom ter um acordo político em julho”, admitiu o vice-presidente da Comissão, Valdis Dombrovskis, após a reunião ministerial financeira e econômica realizada na última terça-feira. Mas já se sabe que o primeiro-ministro neerlandês Mark Rutte, um dos quatro opositores a maiores contribuições nacionais para os orçamentos da UE, ‘não tem pressa’.
O presidente da UE, Charles Michel, já entrou em contato com os líderes da UE para solicitar suas opiniões sobre a proposta de compromisso da Comissão Europeia. Após esta primeira rodada, um funcionário da UE disse à EURACTIV que seria “muito difícil” obter a necessária unanimidade dos 27 líderes antes das férias de verão.
Quase todos concordam que há urgência, pois a UE enfrenta a recessão mais profunda de sua história. Para mitigar os impactos econômicos da pandemia, a Comissão Europeia propôs um fundo de recuperação sem precedentes de 750 bilhões de euros.
Os líderes da UE também não conseguiram em fevereiro fechar um acordo sobre o orçamento, devido às diferenças que não puderam ser eliminadas entre os Estados-membros do norte, sul e leste. O orçamento plurianual revisado e o fundo de recuperação são especialmente questionados por Países Baixos e Áustria, mas também por países da Europa Oriental, como a Hungria.
A Alemanha quer que se encontre “muito rapidamente” um compromisso sobre o fundo de recuperação da UE para ajudar os países afetados pela crise da covid. Alguns países da UE estão em sérias dificuldades e precisam de ajuda rápida, informou a Alemanha em uma reunião com os ministros das Finanças da UE.
Os Países Baixos, juntamente com Suécia, Dinamarca e Áustria, defendem que o fundo não seja composto por doações, mas por empréstimos. França e Alemanha discordam. Eles propõem doar 500 bilhões de euros sob certas condições aos países afetados. Depois disso, a Comissão Europeia apresentou um tipo de compromisso pelo qual o dinheiro será agora parcialmente doação, parcialmente empréstimo.
No debate ministerial da UE, desta vez a Holanda dirige suas objeções ao tamanho do fundo e ao orçamento plurianual da UE. Segundo o ministro Hoekstra (Finanças), as propostas acarretam ‘contribuições substancialmente mais altas’ para a Holanda, começando com um aumento de 1,5 bilhão em 2021 até 2,3 bilhões em 2027.
A Holanda reconhece, porém, que é desejável cooperar com outros países. Se cada país tentar resolver a crise por conta própria, seguirá-se uma “recuperação assimétrica” após o “choque simétrico do surto de COVID-19”. O governo também é positivo em relação à ligação entre o apoio e a implementação de reformas, assim como investimentos em digitalização, pesquisa e sustentabilidade ambiental. Mas Hoekstra tem ‘dúvidas sérias’ quanto ao financiamento e ao tamanho do fundo.

