Países Baixos sempre foram favoráveis à proposta de pesticidas do então Comissário do Acordo Verde Frans Timmermans. A chamada proposta SUR para pesticidas foi uma das grandes iniciativas do Acordo Verde que ele apresentou junto com a Comissária de Alimentos Stella Kyriakides e o Comissário do Meio Ambiente Virginius Sinkevicius.
Organizações europeias do setor agrícola protestaram desde o início contra a proposta, junto com a Lei de Recuperação da Natureza, a diretiva do solo reforçada, a estratégia de fazenda para mesa para mais biodiversidade e outras normas ambientais e climáticas na agricultura.
Nas últimas semanas, agricultores da UE organizaram grandes manifestações, não só contra questões fiscais nacionais, mas também contra as normas ambientais europeias em seu setor. E até contra a flexibilização das regras de exportação para a Ucrânia. Todas essas críticas serão discutidas nas mesas de reunião em Bruxelas durante o resto desta semana e na próxima.
Após a presidente da Comissão Ursula von der Leyen ter colocado as medidas contestadas em "pausa" com seu novo "diálogo estratégico", ela anunciou na semana passada a retirada da proposta de pesticidas, que já estava travada. Isso também foi interpretado no setor agrícola como uma concessão às críticas.
Ao contrário das reclamações de muitos agricultores europeus, a agência de notícias Euronews conclui que ainda há pouco progresso na maioria das propostas do Acordo Verde. Isso contrasta com o que Timmermans afirmou no final do ano passado ao deixar Bruxelas (para retornar à política neerlandesa), quando disse que a grande estrutura da maioria das propostas do Acordo Verde estava pronta.
Segundo a análise da Euronews, inicialmente eram 28 propostas diferentes (posteriormente divididas em 31), das quais, dois anos depois, ainda não foram preparadas as leis jurídicas para metade delas e a maioria ainda não atingiu o estágio de acordo trilateral entre ministros especializados e o Parlamento Europeu.
De acordo com o ministro neerlandês da Agricultura, Pecuária e Alimentação, Piet Adema, a proposta SUR teria contribuído para a transição agrícola rumo a uma agricultura mais sustentável e para reduzir consideravelmente o uso de pesticidas químicos sintéticos. A retirada significa "que, para os Países Baixos e outros Estados-membros, um importante incentivo jurídico para reduzir o uso desses produtos a nível europeu deixa de existir".
Quanto a isso, os Países Baixos parecem antecipar a futura atualização europeia da Diretiva-Quadro da Água e o endurecimento da Diretiva dos Nitratos contra a poluição da água potável e do solo. Devido à falta de redução da poluição hídrica, Alemanha e Países Baixos já perderam sua derrogação para o uso de estrume, sendo que a Irlanda seguirá o mesmo caminho ainda este ano. O excedente de estrume em um número cada vez maior de países (principalmente produtores de laticínios) está se tornando um problema crescente.
Em uma carta ao Parlamento neerlandês, o ministro Adema ressalta também a necessidade de acelerar a autorização na UE de defensivos agrícolas ‘verdes’, ecologicamente amigáveis. O governo neerlandês reitera ainda suas propostas anteriores para permitir os chamados produtos Renure (obtidos a partir de estrume animal processado). Isso foi até mesmo abordado pessoalmente pelo premier em fim de mandato Mark Rutte com a presidente da Comissão Von der Leyen. Em resumo: isso também se tornará uma questão prioritária ('chefsache')……

