Bruxelas afirma que a Rússia tenta influenciar o mercado de grãos nos países da UE através da exportação de grãos baratos, e que o presidente Putin também usa os lucros para financiar a guerra contra a Ucrânia.
A nova medida da UE contra a Rússia aplica-se a grãos, sementes oleaginosas e produtos derivados da Rússia e da Bielorrússia. Segundo a proposta, a UE imporia uma tarifa de importação de 95 euros por tonelada, um aumento abrupto em comparação com as atuais taxas zero.
Durante a Eurocimeira, a primeira-ministra da Letônia, Evika Siliņa, e o presidente da Lituânia, Gitanas Nausėda, apelaram para uma proibição total dos grãos russos, para a qual seriam necessárias sanções. Até agora, os «alimentos» estavam excluídos das sanções econômicas europeias contra Moscou devido à guerra russa na Ucrânia.
O presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy também abordou a questão em seu discurso virtual aos líderes da UE. “Infelizmente, o acesso russo ao mercado agrícola europeu ainda é ilimitado. E enquanto os transportes de grãos ucranianos são destruídos e bloqueados, produtos russos continuam sendo transportados para a Europa”, disse Zelensky.
"Isso não é justo", afirmou ele, referindo-se aos bloqueios ainda em curso promovidos por agricultores poloneses. Polônia, Hungria e Eslováquia impuseram uma proibição própria aos alimentos ucranianos, que continua até hoje.
Apesar das tentativas de Bruxelas para resolver essa disputa, a UE ainda não conseguiu encontrar solução. No início desta semana, foi alcançado um acordo para estender o regime de livre-comércio para a Ucrânia até 2025, com uma 'freio de emergência' caso as exportações ultrapassem o máximo dos últimos dois anos.
A proposta para agora impor tarifas de importação sobre a exportação russa ainda precisa ser aprovada pelos países da UE com maioria qualificada, provavelmente já na próxima segunda-feira, na reunião mensal da Conselho de Agricultura do MAA.

