O grupo de trabalho formado por especialistas renomados apresentou na semana passada um detalhamento mais concreto de suas propostas já apresentadas anteriormente, desta vez incluindo uma recomendação de financiamento. A chamada 'coalizão do semáforo' do SPD, Verdes e FDP, que já foi desfeita, havia solicitado um plano financeiramente fundamentado após a coalizão não conseguir chegar a um acordo sobre sua cobertura.
A Comissão ZKL pede uma reorganização abrangente das possibilidades de financiamento. A assim denominada Comissão Borchert2 propõe cofinanciar a renovação da pecuária com alguns bilhões de euros, principalmente destinados à modernização dos estábulos na produção de leite e suinocultura. Apenas com estábulos maiores e mais amplos as políticas para melhora do bem-estar animal podem ser alcançadas.
Até agora, os partidos políticos alemães divergiam sobre quanto os agricultores deveriam pagar e quanto o governo deveria contribuir. Além disso, a questão era se essa contribuição estatal deveria ser paga via aumento do imposto de renda (=todos pagam), ou por meio de um novo 'imposto sobre carne' (=apenas os consumidores de carne) ou por meio do aumento do IVA sobre alimentos (=quem consome mais paga mais).
A comissão ZKL agora defende um aumento gradual do IVA sobre alimentos, como a fonte de receita extra mais lógica para um subsídio federal à transição agrícola. Uma combinação com outras fontes de financiamento não é descartada.
Representantes do setor agrícola estão satisfeitos pelo fato de os especialistas da comissão ZKL terem, novamente, chegado a uma recomendação amplamente aceita. O vice-presidente do DBV, Dr. Holger Hennies, observa uma mudança importante entre muitos agricultores: “Abandonamos o modo ‘contra’, agora queremos mais confiabilidade juntos.”
Até agora, a política agrícola envolve uma divisão de tarefas e competências entre o governo federal, em Berlim, e os governos dos dezesseis Estados alemães, que são compostos por cores políticas diferentes. Isso torna a política agrícola na Alemanha lenta e difícil de se concretizar.
O vice-presidente da Bauernverband vê um papel para o governo federal na implementação da transição agrícola: ele deve não apenas definir regras, mas também se envolver concretamente, afirmou. A comissão ZKL propõe reavaliar essa divisão de tarefas entre Berlim e os estados.
O dirigente do DBV, Hennies, considera o aumento do imposto sobre o faturamento uma maneira adequada de redistribuir dinheiro para o bem-estar animal. Porém, ele adverte que primeiro a legislação sobre construção deve ser ajustada: agricultores e pecuaristas precisam saber exatamente o que esperar em relação a eventuais planos de novas construções ou ampliações. ‘As empresas precisam de segurança para planejamento de seus investimentos.’
A Associação Alemã de Conservação da Natureza (NABU) considera o novo consenso entre os especialistas da ZKL um sinal importante: segundo o NABU, isso mostra que “mesmo após os acalorados debates agrícolas dos últimos meses, as divergências podem ser superadas”.
A comissão ZKL enfatiza ainda mais do que no parecer anterior de 2021 a necessidade de alinhar-se à legislação europeia, tanto na política agrícola comum quanto nas normas climáticas e ambientais do Pacto Verde. Também as novas regras da UE para o setor empresarial moderno devem ser consideradas na nova política alemã.
As reações políticas ao relatório final são variadas. O ministro da Agricultura Cem Özdemir (Verdes) elogiou a Comissão do Futuro como um “fórum importante para uma avaliação justa de interesses”, mas também admitiu que “preferiria ter tomado passos mais concretos do que foi possível na constelação governamental anterior.” A ministra da Agricultura da Baixa Saxônia, Miriam Staudte (Verdes), destacou especialmente as propostas da ZKL para uma reforma profunda da lei de fertilizantes.
Políticos liberais do FDP veem as recomendações principalmente como uma confirmação da abordagem de economia de mercado. Os membros do FDP rejeitam novamente a forma como “regras em pequena escala devem ser compensadas por subsídios”, como antigos ministros da Agricultura da CDU tentaram fazer por muito tempo com os agricultores.
Sabe-se que o SPD prefere que o subsídio à agricultura seja pago com recursos gerais (imposto de renda), enquanto os Verdes preferem buscar ‘taxas alvo’, como um imposto sobre carne ou aumento do IVA sobre alimentos.
Na próxima campanha eleitoral, a posição da CDU/CSU pode ser decisiva: esse partido de oposição está alto nas pesquisas e quase certamente estará em uma nova coalizão governamental na Alemanha após 23 de fevereiro. O líder do partido, Friedrich Merz, ainda não expressou preferência sobre como o dinheiro para o bilionário subsídio deve ser arrecadado.

