A Alemanha aparentemente discorda do presidente francês Macron, que no início desta semana defendeu uma OTAN sem os Estados Unidos. O ministro das Relações Exteriores alemão Heiko Maas e a chanceler Angela Merkel alertaram contra a minação da OTAN. Sem os Estados Unidos, Alemanha e Europa não podem se proteger adequadamente, disseram eles. Mas a ministra alemã da Defesa Annegret Kramp-Karrenbauer concorda em grandes linhas com Macron.
Os políticos alemães reagiram às palavras críticas do presidente francês Emmanuel Macron em uma entrevista à revista The Economist, na qual ele chamou a OTAN de “morta cerebralmente”. Segundo Macron, há falta de coordenação entre os países membros, o que impede a intervenção quando necessário. Ele criticou que os Estados Unidos agem por conta própria, sem consultar os europeus.
Maas e Merkel apoiam o apelo de Macron para fortalecer a defesa europeia, mas como parte da OTAN e não em substituição a ela. A ministra alemã Annegret Kramp-Karrenbauer (AKK) está alinhada com o presidente francês. Ela quer sobretudo mostrar que a política alemã de defesa precisa ser revista. AKK é ministra da Defesa da Alemanha e também presidente da CDU.
Após a Segunda Guerra Mundial, a Alemanha manteve-se principalmente à margem da OTAN. Mas AKK quer colocar a defesa alemã mais claramente em evidência. Ela sucedeu no início deste ano Ursula von der Leyen, que tornou-se presidente da Comissão Europeia. AKK deseja, entre outras coisas, criar um conselho nacional de segurança. Ela também acha que seu país deve destinar mais dinheiro para Defesa.
Seus planos até agora foram recebidos com pouco entusiasmo internamente. Críticos afirmam que uma mudança tão profunda de rumo deveria ser decidida pela chanceler. Mas Merkel e AKK aparentemente não estão alinhadas. AKK quer que a Alemanha desempenhe um papel mais ativo nas áreas de segurança nacional e global. Por isso, pretende aproveitar a presidência do Conselho da UE na segunda metade de 2020 para fortalecer o braço europeu dentro da OTAN.
A ministra alemã também pede agora a criação de um Conselho Europeu de Segurança, no qual o Reino Unido deveria estar incluído, independentemente do resultado de uma possível saída da União Europeia. O fato de uma alta política alemã e presidente de partido defender abertamente uma política de defesa alemã mais destacada na Europa deixa claro que Berlim está refletindo sobre uma nova e própria posição alemã neste tipo de debates.
Annegret Kramp-Karrenbauer parece posicionar-se como aliada de Macron em matéria de Defesa, afastando-se de Merkel. Há pouco mais de um ano, Merkel a impulsionou para presidente do partido, e assim também como futura chanceler em potencial. Mas no último ano sua popularidade caiu rapidamente. Também dentro de seu próprio partido cresce o clamor para que Kramp-Karrenbauer seja afastada. A possibilidade de que ela venha a suceder Merkel como chanceler está diminuindo constantemente.
A chanceler Angela Merkel prometeu aos Estados Unidos que seu país continuará apoiando a gestão de crises internacionais. Ela assegurou ao secretário de Estado americano Mike Pompeo em Berlim que a Alemanha deseja continuar desempenhando um papel ativo na resolução de conflitos internacionais. Citou os confrontos no Afeganistão, Síria, Líbia e na Ucrânia como exemplos.

