A empresa química Bayer vai retirar o glifosato do herbicida Roundup para uso particular nos Estados Unidos. Além disso, em outros produtos Bayer nas prateleiras das lojas, o glifosato será substituído por outro ingrediente. O setor agrícola americano continuará podendo comprar pesticidas químicos que contenham glifosato.
Em um comunicado divulgado na quinta-feira, a Bayer anunciou que “discutirá o futuro dos produtos à base de glifosato no mercado residencial americano. Isso não afetará a disponibilidade de produtos à base de glifosato para usuários profissionais e agrícolas”, acrescentou a empresa.
A venda de glifosato para consumidores americanos, principalmente sob a marca Roundup, representa cerca de 300 milhões de euros na receita anual da Bayer, menos de 2% da receita total da unidade de ciências agrícolas.
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Liam Condon, chefe da divisão da Bayer, disse que a empresa espera pouco impacto financeiro. A Bayer manterá a marca Roundup e continuará a vendê-la, mas mudará apenas a composição dos ingredientes ativos, acrescentou.
O anúncio ocorre após uma nova decisão de um juiz americano em um dos muitos processos contra a empresa. Na quarta-feira, o tribunal rejeitou o plano anteriormente proposto pela Bayer, considerando-o “claramente irrazoável”. Analistas financeiros afirmam que essa rejeição foi um “revés considerável para a Bayer”.
A empresa química Bayer reservou 4,5 bilhões de dólares para futuros litígios relacionados ao herbicida Roundup que contém glifosato. O CEO da Bayer, Werner Baumann, afirmou que agora a empresa está buscando “soluções alternativas para gerenciar eventuais futuras reivindicações”. Nos primeiros três meses deste ano, a Bayer já pagou cerca de 2,2 bilhões de euros para resolver disputas.
O produto Roundup, contendo glifosato, tem sido alvo de críticas por ambientalistas há muitos anos. A empresa enfatiza que a suspensão das vendas não é baseada em critérios de segurança ou saúde, mas sim para reduzir a probabilidade de novos processos judiciais.
A Bayer também menciona o recente parecer de quatro países da UE, incluindo Países Baixos, sobre a possibilidade de renovação da autorização para o uso do glifosato na agricultura. Após um extenso estudo científico, esse grupo AGG concluiu, entre outras coisas, que não se espera risco crônico ou agudo para os consumidores, e que o glifosato atende aos critérios de aprovação para a saúde humana.

