O presidente americano Joe Biden quer melhorar a concorrência na economia dos Estados Unidos restringindo o poder dos grandes conglomerados. Ele busca mudanças na indústria da aviação, fabricantes de medicamentos, empresas de internet, bancos e nas quatro grandes indústrias de processamento de carnes.
Esse último aspecto impacta principalmente os “Big Four” processadores de carne Tyson, JBS, Cargill e National Beef.
“Quatro grandes processadores dominam mais de 80% do mercado de carne bovina e, nos últimos cinco anos, a parcela dos produtores no preço da carne bovina caiu mais de um quarto – de 51,5% para 37,3% – enquanto o preço da carne bovina subiu”, explicou a Casa Branca.
Em muitos setores, um pequeno número de grandes empresas controla uma parcela significativa do mercado, afirma a Casa Branca. Essa falta de concorrência eleva os preços para os consumidores e reduz os salários. “Sou capitalista e sei disso. Capitalismo sem concorrência leva à exploração”, disse Biden.
“As grandes multinacionais pressionam os agricultores americanos”, disse Biden ao assinar a ordem executiva. “Pequenos agricultores e empresas familiares do setor enfrentam aumento nos preços das sementes, contratos desequilibrados, lucros encolhidos e dívidas crescentes”, afirmou o presidente.
O ministro da Agricultura, Tom Vilsack, disse que seu departamento agirá “de forma agressiva” para melhorar as novas regras para criadores de suínos e aves. Devido à concentração de poder, a maioria dos agricultores americanos está “do começo ao fim” vinculada a várias regras e contratos que tornam inexistente, para eles, um verdadeiro “mercado livre de oferta e demanda”.
A falta de concorrência e os consequentes preços mais altos e salários mais baixos custam, em média, 5.000 dólares por ano para uma família americana. Por exemplo, em breve estará proibido cobrar altas tarifas para cancelamento de contratos de internet.
Na reparação de aparelhos (eletrônicos), os fabricantes não poderão mais proibir que o comprador conserte o aparelho por conta própria ou por terceiros. Isso também valerá para equipamentos agrícolas modernos e pesados, como tratores de alta tecnologia.
Seguindo o exemplo da Autoridade da Concorrência da União Europeia, os Estados Unidos terão uma “comissão de concorrência”. Embora os poderes dessa “comissão” ainda não estejam claros, já se sabe que a intervenção de Biden na “corporate and freemarket USA” é, para os padrões americanos, muito grande.

