Uma em cada dez pessoas na Terra está desnutrida. Esse é o número mais alto desde 2009 e o terceiro ano consecutivo de aumento. Cerca de 768 milhões de pessoas – mais do que a população da Europa – sofreram fome no ano passado, um aumento de 118 milhões (9,9%) desde o início da pandemia mundial de Covid-19.
As cinco organizações da ONU FAO, IFAD, Unicef, WFP e OMS chamam em seu Relatório Mundial de Alimentos conjunto esse aumento de “uma repreensão à promessa global de acabar com a fome até 2030”. David Beasley, diretor do Programa Mundial de Alimentos, disse que “o caminho para a fome zero está bloqueado por conflito, clima e Covid-19.”
Trinta por cento da população mundial, 2,3 bilhões de pessoas, não tiveram acesso a alimentos suficientes durante todo o ano, um aumento de quase 4 pontos em um ano.
O relatório alerta que, sem grandes mudanças, será impossível atingir a meta de erradicar a fome até 2030. Esse é um dos principais objetivos dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) acordados pela comunidade internacional.
Embora os preços das matérias-primas tenham caído no início de 2020, os preços dos alimentos logo subiram em meio a grandes escassezes. O índice de preços dos alimentos da FAO estava 34% mais alto no mês passado em comparação com junho de 2020. Grande parte do aumento da fome foi “provavelmente devido aos efeitos da Covid-19, embora o impacto completo da pandemia ainda precise ser mapeado.”
O secretário-geral Antônio Guterres, das Nações Unidas, lembrou que, apesar da produção de alimentos ter aumentado 300% desde meados dos anos 1960, a desnutrição continua sendo um grande problema.
O chefe da ONU, que organizou uma cúpula internacional sobre alimentos em setembro, disse que, em um mundo com tanta abundância de alimentos, não é possível que “bilhões de pessoas estejam sem acesso ao seu pão diário”.

