Na noite de terça-feira, o primeiro-ministro britânico Boris Johnson e o líder da oposição trabalhista Jeremy Corbyn enfrentam-se pela primeira vez num debate televisivo em direto. Embora Johnson esteja constantemente sob fogo, seu arquirrival Corbyn é muito menos popular entre a maioria dos britânicos.
As pesquisas de opinião também estão, por enquanto, do lado de Johnson. A diferença em relação ao Partido Trabalhista só aumentou nas últimas semanas. Enquanto os Conservadores começaram a campanha há duas semanas com uma vantagem de 10 pontos percentuais, essa margem já subiu para 14 pontos.
Esse crescimento não se deve ao desempenho de Johnson, mas principalmente aos outros partidos. Em particular, a decisão do eurocético Nigel Farage de participar com seu Partido Brexit em apenas metade dos distritos eleitorais faz com que o Partido Conservador seja o único partido em metade do país que defende claramente a saída da UE.
Em sua campanha, os Conservadores prometem impor condições mais rígidas para os cidadãos da UE que desejam emigrar para o Reino Unido com seus planos de Brexit. Johnson pretende acabar com a livre circulação sem visto no final do próximo ano. Até 2021, uma nova regulamentação britânica deverá ser implementada.
Johnson quer que imigrantes só sejam admitidos se tiverem um emprego e renda próprios. Atualmente, um cidadão da UE pode residir num outro país da UE por um determinado período para procurar trabalho, e os europeus têm direito a benefícios sociais após três meses. Os Conservadores querem estender esse prazo para cinco anos. Uma exceção será feita para cientistas altamente qualificados e pessoas que desejam abrir seu próprio negócio.
Dados os resultados eleitorais, existe a possibilidade de nenhum dos partidos obter maioria própria na Câmara dos Comuns em 12 de dezembro. Neste caso, a oposição trabalhista não pretende formar uma coalizão com outros partidos políticos. O líder do Partido Trabalhista, Jeremy Corbyn, afirmou claramente isso numa entrevista à BBC. Questionado se consideraria uma aliança com o Partido Nacional Escocês (SNP), Corbyn respondeu: “Não fazemos acordos com ninguém.”
Atualmente, o Partido Trabalhista está atrás dos Conservadores nas pesquisas. Ainda assim, Corbyn não parece disposto a formar uma coalizão com os nacionalistas escoceses do SNP. Esse partido poderia apoiar os Trabalhistas na Câmara dos Comuns em troca de um segundo referendo sobre a independência da Escócia. Corbyn diz que o SNP terá na Câmara dos Comuns a seguinte escolha: querem ajudar Boris Johnson a voltar ao poder ou apoiar os Trabalhistas?
Se os Trabalhistas vencerem as eleições, pretendem renegociar com a UE a saída britânica e realizar um segundo referendo. Corbyn ainda não quis revelar se a campanha será a favor ou contra a permanência na UE.
Os partidos pró-UE como os LibDems, SNP e os Verdes estão irritados com a emissora comercial ITV por não permitir que seus líderes participem do debate. Eles apontam que tanto os Conservadores quanto os Trabalhistas defendem o Brexit, deixando os outros partidos sem voz.

