As partes da coalizão alemã chegaram a um acordo sobre um pacote prometido de apoio à agricultura, que inclui medidas fiscais e menos burocracia. Berlim pretende implementar ainda este ano várias flexibilizações permitidas pela União Europeia. A oposição CDU e a associação alemã de agricultores consideram o pacote de ajuda "muito pequeno e tardio".
O pacote é uma resposta aos protestos dos agricultores iniciados no ano passado devido à eliminação gradual dos benefícios fiscais para o diesel agrícola. O governo federal retirou alguns planos de cortes e estendeu a eliminação dos descontos no diesel agrícola por três anos. As medidas agora precisam ser aprovadas pelo Bundestag para entrarem em vigor.
O pacote de apoio inclui medidas como a eliminação gradual do diesel agrícola subsidiado e o restabelecimento do "alívio fiscal" para rendimentos agrícolas, que foi abolido em 2022. Isso permitirá aos agricultores distribuir sua renda por vários anos, oferecendo maior estabilidade financeira em anos de safras variadas.
Uma medida importante do pacote visa fortalecer a posição da agricultura e da pecuária na cadeia alimentar nacional. Isso será buscado por meio de melhores acordos de preço e produção com grandes redes de supermercados alemãs. Com isso, os agricultores deverão receber uma remuneração mais justa por seus produtos.
A coalizão planeja discutir os planos na próxima semana no Bundestag e aprovar parte deles antes das férias de verão. O ministro da Agricultura, Cem Özdemir (Verdes), chamou o pacote de "forte" e afirmou que ele aliviará as cargas dos agricultores e fortalecerá sua posição no mercado. O ministro das Finanças, Christian Lindner (FDP), acrescentou que a competitividade das empresas agrícolas não deve ser limitada desnecessariamente.
A associação de agricultores teve uma reação mista ao pacote. O presidente da DBV, Joachim Rukwied, classificou-o como um "passo insuficiente e muito tardio". A oposição CDU chamou o pacote de "um pequeno remendo em uma grande ferida", enquanto os Verdes destacaram que não é possível reparar de repente todos os danos causados por muitos anos de políticas agrícolas da CDU.
Na semana passada, os três partidos da coalizão SPD, Verdes e FDP não conseguiram concordar sobre o projeto de orçamento para o próximo ano, que deveria estar pronto antes do recesso de verão. Os partidos governantes estão sob pressão crescente após terem sofrido uma derrota nas eleições para o Parlamento Europeu em junho. O ministro das Finanças do FDP quer restringir os gastos de todos os ministérios (exceto Defesa).