Grã-Bretanha planeja conceder permissões de trabalho a alguns milhares de caminhoneiros do Leste Europeu novamente, menos de um ano depois que 25.000 caminhoneiros estrangeiros tiveram que deixar o país devido ao Brexit.
Postos de gasolina na Inglaterra reclamam da falta de abastecimento e lojas enfrentam cada vez mais prateleiras vazias devido à interrupção na cadeia de suprimentos.
Organizações de transporte e redes de lojas alertaram o governo britânico sobre problemas ainda maiores para as compras de Natal, afirmando que são necessários pelo menos 100.000 novos caminhoneiros. O primeiro-ministro Boris Johnson, que está neste fim de semana na ONU em Nova York, anunciará as permissões de trabalho temporárias na segunda-feira, segundo a mídia britânica.
Jornais britânicos informaram que o governo permitiria a entrada de 5.000 caminhoneiros estrangeiros no Reino Unido com um visto temporário, algo que até agora havia sido excluído pelo governo. A falta de motoristas não foi causada apenas pelo Brexit, mas também pela pandemia de COVID-19 e pela interrupção de cerca de um ano nas formações de motoristas.
Após a saída da União Europeia, os setores agrícola e de processamento de carne enfrentam grandes carências de pessoal. Essas indústrias dependiam, em grande parte, da contratação de trabalhadores temporários (baratos), principalmente de países da Europa Central e do Leste. Por isso, as importações e exportações britânicas diminuíram consideravelmente e o transporte de mercadorias no país enfrenta problemas de capacidade.
A iminente escassez de combustível em muitos postos ocorre no momento em que Grã-Bretanha, a quinta maior economia do mundo, também enfrenta um pico nos preços europeus do gás natural, levando a aumento dos preços da energia e possível escassez de alimentos.
Devido à falta de caminhoneiros, a coleta de leite nas fazendas leiteiras não está sendo realizada em todos os locais, e alguns agricultores estão tendo que descartar o leite.
O varejo alertou que, a menos que o governo tome medidas para enfrentar a escassez nos próximos 10 dias, uma perturbação significativa será inevitável com a aproximação do Natal. O setor de transporte diz que atualmente são necessários cerca de 90.000 motoristas adicionais.
Supermercados e agricultores apelaram ao governo para resolver a falta de mão de obra em setores importantes. Além dos caminhoneiros, trata-se também de pessoal na indústria de processamento e na agricultura. A escassez de mão de obra nessas áreas tem colocado pressão na cadeia de abastecimento de alimentos, segundo relatos.

