De uma produção mundial anual de 4 bilhões de toneladas de alimentos por ano, um quarto se perde. Segundo a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), cerca de 1,3 bilhão de toneladas de alimentos comestíveis são desperdiçados. A Universidade de Edimburgo aponta que essa porcentagem é ainda maior e que até 44% da produção agrícola nunca seria consumida por humanos.
“O planeta atualmente tem cerca de 7,8 bilhões de habitantes e cada pessoa precisa em média de 1,4 quilos de comida”, diz um estudo recente da agência britânica Bloomberg-Green. “Isso significa que são necessários aproximadamente 3,7 bilhões de toneladas de alimentos anualmente para alimentar toda a população mundial.” Ao mesmo tempo, deve-se evitar o desmatamento de grandes áreas naturais para a produção alimentar.
“Países em desenvolvimento desperdiçam tanta comida quanto países desenvolvidos”, reconhecem os pesquisadores. “Apenas a forma do desperdício difere. Nos países ricos, mais de 40% das perdas acontecem nas lojas e nas casas dos consumidores. Nos países pobres, onde os domicílios desperdiçam muito menos, mais de 40% das perdas ocorrem entre a colheita e a entrega.
Dados do Environmental Systems Research Institute (Esri) mostram que, no fim das contas, somente entre 30% e 50% da produção potencial acaba sendo consumida. Destaca-se, entre outros, o potencial desperdiçado por terras agrícolas mal aproveitadas que, com melhores técnicas e manejo, poderiam produzir muito mais por hectare. Seria possível alcançar uma produção anual de 9 bilhões de toneladas de alimentos.
“Segundo pesquisas das Nações Unidas, 2,2 bilhões de hectares de terras agrícolas degradadas poderiam ser recuperadas por meio do uso responsável de fertilizantes e irrigação. Parte dessas terras recuperadas seria usada para reflorestamento, mas o restante poderia produzir cerca de 500 milhões de toneladas de alimentos anualmente”, afirma o estudo da Bloomberg.
“Nem todas as culturas comestíveis destinam-se à alimentação”, aponta ainda a Bloomberg. “Quase 600 milhões de hectares são usados para cultivar plantas destinadas à produção de etanol, como combustível para automóveis. A transição para veículos elétricos poderia liberar terras agrícolas para produção de alimentos, o que permitiria alimentar mais 280 milhões de pessoas.”
“Claro que são apenas cálculos teóricos. Política, economia, cultura e comércio também influenciam a cadeia alimentar. Nenhum sistema agrícola será perfeito. Mas mesmo com metas mais realistas, há terras agrícolas mais do que suficientes para continuar garantindo o abastecimento alimentar da população mundial em crescimento.”

