"A Alemanha atualmente não é vista como uma força motriz por trás da política de paz na Europa, e isso me dói", disse Baerbock. Ela não mencionou Scholz pelo nome, mas criticou o fato de que a atual campanha eleitoral "para alguns se trata mais de como ganhar rapidamente alguns votos nas eleições para o Bundestag - do que de garantias reais para a paz e liberdade na Europa".
Um ataque claro a Scholz, que supostamente bloqueou outro pacote de ajuda de três bilhões de euros, embora, além de Baerbock, seu ministro da Defesa Boris Pistorius (SPD) seja favorável. Pistorius disse que acha que a Alemanha deveria fornecer tropas para uma força temporária de paz no leste da Ucrânia, caso isso faça parte de um cessar-fogo entre Moscou e Kiev.
Pistorius também respondeu às exigências que o novo presidente americano Donald Trump possivelmente fará aos aliados da OTAN. Trump quer aumentar os gastos com defesa para 5% do Produto Interno Bruto, enquanto o padrão atual é 2%, e muitos membros sequer atingem essa porcentagem. A Alemanha pensa em um orçamento de defesa de 3% do PIB, diz o ministro.
Os liberais do FDP, até recentemente parceiros de coalizão de Scholz e Baerbock, querem agora levar a disputa à comissão orçamentária do Bundestag. O FDP pediu uma reunião especial para a próxima semana. "Parem com o bloqueio", escreveu Johannes Vogel, diretor parlamentar dos liberais, no X.
Outros políticos alemães também comentaram sobre a questão do possível envio de tropas da Bundeswehr à Ucrânia. Roderich Kiesewetter, deputado do partido de oposição União Democrata Cristã (CDU), disse recentemente que Berlim não deve descartar essa opção.
Friedrich Merz, o candidato principal da CDU/CSU para o novo chanceler nas próximas eleições parlamentares, declarou no mês passado que a Alemanha poderia participar de uma missão de paz na Ucrânia, mas somente com a autorização da Rússia.
Segundo pesquisas de opinião, a CDU/CSU será o maior partido. Nesse ponto, a popularidade de Merz entre os eleitores parece vacilar um pouco. Embora seus democrata-cristãos ainda estejam à frente com cerca de 30%, algumas pesquisas indicam que o apoio à centro-direita diminui ligeiramente, enquanto a extrema-direita AfD ganha força.

