Além da exportação, surgirão também problemas com a importação que chega por essa rota, como uvas da Índia, abacates do Quênia e produtos sazonais da África do Sul e de Israel, informou a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO).
Exportadores ucranianos de maçã já enfrentam dificuldades no abastecimento dos mercados do Oriente Médio. Espera-se que fornecedores da Polônia, Itália e Moldávia enfrentem problemas semelhantes.
O Mar Vermelho e o Canal de Suez formam a principal rota marítima mundial entre o Oriente e o Ocidente. Grandes armadores como Maersk e Hapag-Lloyd já suspenderam o transporte de contêineres nessa rota e consideram navegar contornando a África do Sul. Isso representa um atraso no transporte de cerca de três semanas. Navios que já estavam em trânsito aguardam em zonas seguras até poderem continuar a viagem.
Os rebeldes xiitas Houthi pró-Irã controlam parte do Iêmen. Eles atacam há algumas semanas navios internacionais perto da costa para pressionar empresas ocidentais no conflito israelo-palestino.
A exportação de petróleo da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes Unidos para a Europa e os Estados Unidos também está em zona de risco. Primeiramente, isso acarretará atrasos e desvios, não resultando imediatamente no fechamento de fontes petrolíferas. O banco de investimentos americano Goldman Sachs estimou que sete milhões de barris de petróleo são transportados diariamente pelo Estreito de Bab el-Mandeb, rota que será desviada. Isso fará os preços spot do petróleo bruto subirem entre US$3 e 4.
O fabricante chinês de automóveis Geely alertou na sexta-feira que a venda de veículos elétricos provavelmente será afetada por atrasos nas entregas devido à “situação” no Mar Vermelho. Se o problema no Mar Vermelho persistir sem solução, espera-se que as armadoras ajustem as tarifas de frete, o que resultará em aumento dos custos de transporte, acrescentou a empresa.

