A falta de abelhas nas áreas agrícolas nos Estados Unidos limita o crescimento de algumas plantações, mostra um novo estudo americano. A pesquisa sugere que o declínio dos polinizadores pode ter graves consequências para a segurança alimentar global.
Espécies de abelhas selvagens, como os bombus, sofrem com o desaparecimento do habitat florido, o uso de pesticidas e, de forma crescente, com a crise climática. Dos sete cultivos analisados, cinco mostraram evidências de que a falta de abelhas restringe o crescimento das plantações. Cientistas dos EUA, Canadá e Suécia examinaram no total 131 campos quanto à atividade de abelhas e a abundância de culturas.
“As plantações que receberam mais abelhas tiveram uma produção significativamente maior”, afirma Rachael Winfree, ecóloga da Rutgers University e autora sênior do relatório, publicado pela Royal Society. ‘Fiquei surpresa, não esperava que o crescimento fosse limitado a esse ponto’, disse ela ao jornal britânico Guardian.
Os pesquisadores descobriram que abelhas nativas e selvagens participaram de uma parcela surpreendentemente grande da polinização, apesar de estarem em grande parte privadas de vegetação de apoio. Abelhas selvagens são frequentemente polinizadoras mais eficazes do que abelhas melíferas, mas pesquisas mostraram que várias espécies têm sofrido grande declínio. O bombus pontilhado foi a primeira abelha listada como espécie ameaçada nos EUA, há três anos, após uma queda de 87% nas últimas duas décadas.
Os Estados Unidos lideram algumas atividades agrícolas em tendências que depois se repetem em outras partes do mundo, como a intensificação, o uso massivo de inseticidas e o plantio de monoculturas. Isso é visto como uma das causas do desaparecimento das populações de abelhas cruciais para a polinização das plantações.
Segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), a quantidade de produção agrícola dependente de insetos e outros polinizadores aumentou 300% nos últimos 50 anos. A escassez de polinização pode fazer com que certos vegetais e frutas se tornem mais raros e caros, levando a deficiências nutricionais. Alimentos básicos como arroz, trigo e milho, contudo, não são afetados, pois são polinizados pelo vento.
“As colônias de abelhas melíferas estão mais frágeis do que antes, e as abelhas selvagens provavelmente estão diminuindo”, afirma a FAO. “A agricultura está se tornando mais intensiva e há menos abelhas, então em algum momento a polinização será limitada. Mesmo que as abelhas melíferas estivessem saudáveis, é arriscado confiar tanto em uma única espécie de abelha. É previsível que parasitas se voltem contra a única espécie que temos nessas monoculturas.”

