Na Alemanha, a presidente do partido CDU, Annegret Kramp-Karrenbauer, anunciou sua renúncia. Na política alemã e europeia, esperava-se que ela fosse a sucessora da chanceler Angela Merkel.
Há dois anos, ela assumiu a presidência do partido de Merkel. AKK agora diz que, no próximo verão, não se candidatará à chancelaria, enquanto Merkel já havia anunciado sua renúncia no ano passado. Isso gera grande incerteza em Berlim sobre quem será o novo líder alemão em pouco mais de um ano.
Kramp-Karrenbauer teria declarado em uma reunião da diretoria do partido que a chancelaria (ou pelo menos a candidatura a ela) e a presidência do partido devem estar unidas, para não enfraquecer a CDU com dois líderes. Alguns interpretam isso como um apelo velado para que Merkel renuncie antecipadamente, permitindo que AKK ocupe ambas as funções.
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Angela Merkel exerceu ambas as funções por muitos anos, mas passou em 2018 a presidência do partido, o que foi visto como o primeiro passo para a transmissão de todo o seu legado político.
Segundo AKK, há incerteza na CDU sobre como lidar com partidos políticos extremos como a extrema-direita AfD e a extrema-esquerda Die Linke. Kramp-Karrenbauer é rigidamente contra qualquer cooperação com esses partidos, mas nem todos no partido concordam. Por isso, a presidente do partido estava sob pressão há algum tempo, pois a atual coalizão da CDU com o Partido Social-Democrata (SPD) também enfrenta dificuldades, e muitos já preveem a queda da “grande coalizão”.
Nas últimas eleições europeias, em maio, os dois grandes partidos alemães de centro, SPD e CDU/CSU, perderam muitos eleitores, especialmente para Os Verdes à esquerda e para a AfD à direita. Nas recentes negociações no estado da Turíngia para formar um governo regional, os líderes regionais da CDU recusaram uma coalizão com Os Verdes e Die Linke, mas pareciam dispostos a aceitar apoio informal da extrema-direita AfD.
Isso provocou um choque em toda a Alemanha, pois foi a primeira vez que um dos partidos votou junto com a extrema-direita. A presidente AKK aparentemente não conseguiu impor sua visão à seção regional do partido, essa foi a impressão. Isso levou a fortes críticas especialmente na imprensa de direita alemã e pedidos velados de sua renúncia. Ainda não se sabe se a diretoria do partido pressionou sua saída, se ela mesma decidiu renunciar ou se Merkel insistiu nisso.
Mas mesmo antes da recente crise na Turíngia, já havia crítica sobre como Kramp-Karrenbauer liderava o partido, principalmente devido a derrotas eleitorais e resultados ruins nas pesquisas. Em novembro, durante o congresso do partido em Leipzig, ela chegou a ameaçar renunciar. Na ocasião, conseguiu restabelecer a unidade do partido.
Kramp-Karrenbauer é também recentemente ministra da Defesa da Alemanha, sucessora de Ursula von der Leyen, que tornou-se presidente da Comissão Europeia em dezembro. Kramp-Karrenbauer pretende em breve organizar o processo para eleger um candidato à chancelaria e preparar o partido para o futuro, deixando a presidência do partido após o verão.
Em 2021, ocorrerão novas eleições parlamentares na Alemanha, encerrando a era Merkel após dezesseis anos. A atual chanceler teria agradecido extensamente a AKK na diretoria do partido e pedido que ela continuasse como ministra da Defesa.

