A Rússia devolveu três navios da marinha ucraniana que foram apreendidos há um ano no Estreito de Kerch à Ucrânia. Naquela época, os três navios ucranianos tentaram navegar do Mar Negro para o Mar de Azov pelo Estreito de Kerch. Após a ocupação da Crimeia, Moscou passou a considerar este estreito uma área de águas russas.
Rebocadores russos puxaram os três navios ucranianos para o mar durante o fim de semana a partir de um porto na Crimeia. A entrega foi feita em águas neutras no Mar Negro. A comunidade internacional vinha pressionando repetidamente para a liberação das embarcações. Os 24 tripulantes dos navios já haviam sido libertados no início de setembro, dentro de um acordo de troca de prisioneiros entre Kiev e Moscou.
A devolução dos navios precede uma possível ‘primeira’ cúpula entre Rússia e Ucrânia. A Rússia confirmou que haverá uma reunião em 9 de dezembro em Paris para tratar do conflito no leste da Ucrânia. Esse encontro será a primeira reunião entre os presidentes Vladimir Putin e Volodymyr Zelenski. França e Alemanha atuam como mediadoras.
No leste da Ucrânia atuam rebeldes apoiados pela Rússia e, segundo relatos não confirmados, também militares russos. Os rebeldes declararam uma república autônoma reconhecida apenas por Moscou. Esta é também a região onde o voo MH17 da Malásia foi derrubado.
A anexação da Crimeia e a influência russa no leste da Ucrânia são vistas pelos países europeus e da OTAN como uma expansão da esfera de influência da Rússia para sul e oeste, após décadas de expansão que já incluíram territórios da Geórgia (Abecásia e Ossétia), da Moldávia (Transnístria) e Polônia e Lituânia (Kaliningrado), como extensões russas para oeste.
Recentemente, houve uma aproximação cautelosa entre Rússia e Ucrânia. Na semana passada, tropas ucranianas e separatistas apoiados pela Rússia se retiraram de duas aldeias no leste da Ucrânia. Embora as relações entre os países tenham melhorado desde a eleição do novo presidente ucraniano Zelenski, ainda não há um consenso.
Para um eventual acordo russo-ucraniano sobre a região rebelde no leste, a Ucrânia terá de decidir, de alguma forma, sobre o autogoverno para as áreas dos separatistas. Isso enfrenta forte resistência no país. Além disso, serão necessárias eleições locais.
No conflito entre as forças do governo ucraniano e os separatistas pró-Rússia no leste, quase 13.000 pessoas já morreram desde 2014. Os acordos de paz de Minsk de 2015 nunca saíram do papel, mas desde a eleição de Zelenski em abril deste ano foram feitos avanços. Houve a troca de prisioneiros e as forças dos dois lados retiraram-se de certas áreas do front.
A guerra dos rebeldes apoiados pela Rússia no leste, a ocupação e anexação do península da Crimeia pela Rússia, e o derrube do MH17 também causaram tensões diplomáticas entre a Rússia e os países da União Europeia. Não apenas os estados da UE, mas a comunidade internacional impôs sanções econômicas e medidas financeiras punitivas contra Moscou.
Nos bastidores, há consultas diplomáticas em vários níveis, mas até agora sem resultados. Vários líderes europeus defendem que a Europa precisará buscar algum tipo de acordo político com a Rússia, e que as sanções econômicas ‘não podem durar para sempre’.
Um eventual acordo entre Moscou e Kiev (‘para normalizar as relações’) poderia abrir caminho para que outros países europeus também restabeleçam seus contatos com Moscou em proporções mais normais.

