O ministro da Agricultura da Rússia, Dmitry Patroshev, prevê uma recuperação na produção de carne suína em várias regiões no próximo semestre. Ele afirmou isso, segundo a revista financeira russa Agroinvestor, durante um encontro com o presidente Putin.
De acordo com Patroshev, seu departamento agrícola espera que até o final deste ano o setor de aves alcance os indicadores de 2020. Para carne bovina, o ministério prevê até um aumento na produção de aproximadamente 1,5%, conforme o transcript divulgado no site do Kremlin.
Uma fonte da Agroinvestor ligada à indústria avícola, que pediu para não ser identificada, duvida das previsões de recuperação da produção de carne de aves. Segundo ele, é mais provável que haja uma queda de 1,5% em relação ao ano passado. Este ano, a gripe aviária e problemas com a importação de ovos férteis levaram a uma forte redução nos volumes de aves.
Segundo dados da União dos Produtores de Aves, divulgados durante um recente webinar, a produção de carne de aves em peso de abate foi de 3,6 milhões de toneladas, o que representa uma queda de 1,7% em comparação com o mesmo período de 2020.
Para apoiar a capacidade da indústria de carnes e estabilizar os preços, serão impostas restrições à importação de carne suína congelada até 100 mil toneladas e de carne bovina congelada até 200 mil toneladas, disse Patroshev. Este tema estará em breve na agenda da próxima reunião do Conselho da Comissão Econômica da Eurásia.
No país vizinho Cazaquistão, também estão sendo adotadas medidas para conter o aumento dos preços dos alimentos. Foi instituída uma proibição de exportação de gado bovino e de pequeno porte por seis meses. A medida, que entrará em vigor no final de dezembro, visa evitar novos aumentos nos preços da carne no mercado doméstico. Entre o início de 2021 e novembro, os preços da carne bovina subiram 15% e da carne de cordeiro 21%. Simultaneamente, o Cazaquistão suspendeu a exportação de batatas e cenouras por três meses.
De acordo com especialistas russos, a importação de alimentos na Rússia atualmente está aproximadamente igual à exportação. Segundo o vice-presidente da União Russa de Cereais (RGU), Alexander Korbut, a Rússia aumentará este ano a importação de bananas, café, chá, maçãs, legumes precoces e outros produtos. “Do meu ponto de vista isso é muito natural: a importação não é um fator que desloca os produtos russos ou que compromete nossa segurança alimentar. A importação proporciona a saturação do mercado”, afirma ele.
Ele afirma que o volume das importações russas depende do que acontecer com a renda da população: se aumentar, a importação também crescerá. A situação com o rublo também terá influência. Atualmente, a taxa de câmbio está mais forte, o que se espera que seja um estímulo para os importadores.

