Nos últimos anos, a CDU criticou fortemente a coalizão centro-esquerda conhecida como “coalizão semáforo”. Segundo as pesquisas de opinião mais recentes, a CDU pode se tornar o maior partido em breve. Nesse caso, uma coalizão com o SPD seria a opção lógica, mas é incerto se essa “grande coalizão” alcançaria a maioria.
Por isso, SPD e Verdes querem saber qual é a posição da CDU. O chanceler Scholz deseja saber do líder da CDU, Merz, se ele apoia seu plano de recuperação econômica para a indústria automobilística, além do aumento do salário mínimo e investimentos em mais rodovias e ferrovias.
O ministro da Agricultura, Cem Özdemir, mantém sua proposta de reduzir pela metade o uso de produtos químicos na agricultura, assim como de garantias contratuais vinculativas para produtores de leite. Também já está na mesa de negociações a proposta para expandir o selo de carne suína antes do final de fevereiro. Esse selo de bem-estar animal na indústria suína alemã passará a valer não só para a venda de carne nos supermercados, mas também para o consumo em bares, restaurantes e cantinas.
Enquanto isso, na Alemanha, os preparativos para as eleições antecipadas do Bundestag, marcadas para 23 de fevereiro, estão a todo vapor sob enorme pressão de tempo. O partido dos agricultores Deutsch-Land-Wirtschaft (DLW), fundado em maio no estado de Brandemburgo, anunciou que não participará das eleições nacionais. Nas eleições regionais de setembro, esse partido obteve pouco mais de meio por cento dos votos.
Devido ao complexo sistema eleitoral alemão, ainda é difícil prever uma possível nova coalizão. Por causa da cláusula eleitoral que exige pelo menos cinco por cento dos votos, é incerto se o partido liberal FDP (considerado em certa medida responsável pela ruptura da coalizão) retornará ao Bundestag.
Também é incerto se Die Linke conseguirá manter-se acima do limite eleitoral e se o novato Bündnis Sahra Wagenknecht (BSW) poderá se registrar a tempo em todas as regiões eleitorais. Para isso, centenas de declarações de apoio devem ser coletadas em cada um dos quase 300 distritos eleitorais.
Segundo as pesquisas mais recentes, CDU/CSU pode vir a ser o maior bloco com mais de 30% dos votos, seguido pelo SPD com cerca de 15% e os Verdes com 12%. Espera-se também que o partido de extrema-direita AfD se torne um partido bem grande, mas praticamente todos os outros partidos descartaram formar coalizões com a AfD. Em dois estados do leste, recentemente foram formados governos regionais envolvendo CDU, BSW e AfD, porém, em nível federal, uma coalizão entre CDU e SPD é muito mais provável, possivelmente com um terceiro partido menor.

