Seis redes de supermercados europeias, incluindo Albert Heijn, Lidl e uma subsidiária do francês Carrefour, deixarão de vender produtos de carne bovina brasileira devido às ligações entre sua pecuária e a destruição da floresta amazônica.
A maioria dos produtos boicotados está ligada à maior empresa mundial de carne, JBS SA, que utiliza indiretamente gado de áreas de desmatamento ilegal, cuja origem é ocultada ao ser vendida a um abatedouro.
A JBS declara em resposta que não tolera desmatamento ilegal e já bloqueou mais de 14.000 fornecedores por não cumprirem as regras. Para a produção de carne na Europa, a soja é importada do Brasil. Nevedi, a associação do setor para a indústria de ração animal, afirma que toda soja comprada na Holanda é certificada, mas que outros países europeus ainda não atingiram esse nível.
O desmatamento na região amazônica brasileira, a maior floresta tropical do mundo, aumentou significativamente desde que o presidente de direita Jair Bolsonaro assumiu em 2019 e enfraqueceu as proteções ambientais. Ele afirmou que deseja expandir a agricultura brasileira para tirar a região da pobreza. A maior parte das terras desmatadas é usada para criação de gado.
A Albert Heijn, uma subsidiária da Ahold Delhaize, a maior rede de supermercados dos Países Baixos, anunciou que vai interromper totalmente a importação de carne bovina do Brasil. A empresa declara que atualmente importa pequenas quantidades de carne bovina brasileira salgada e seca.
Carrefour Bélgica e Delhaize deixarão de vender a carne bovina seca da Jack Link. JBS e Jack Link mantêm uma joint venture que produz intermitentemente. Jack Link não respondeu ao pedido de comentário.
No Reino Unido, J Sainsbury Plc e Sainsbury’s UK vão parar de comprar carne enlatada (corned beef) do Brasil, o que representa 90% do total importado.

