Para os produtores de leite espanhóis, atualmente é mais lucrativo vender seu gado como carne do que produzir leite, devido aos custos altíssimos. Nos últimos meses, a indústria de laticínios na Espanha tem apresentado uma queda constante na produção de leite.
Além disso, vacas leiteiras mais velhas que produzem menos de 25 a 28 litros por dia estão sendo abatidas com mais frequência; nos últimos um ano e meio, já foram abatidos 50.000 animais. Isso fez o número de vacas leiteiras cair para menos de 800.000, e a Espanha pode precisar importar leite ainda este ano.
A recessão começou já em junho do ano passado, com a alta nos preços dos alimentos para gado, aumentada pelo diesel e energia mais caros, além do início da guerra na Ucrânia. No começo deste ano, a produção de leite começou a diminuir, registrando uma queda anual de -1,4%, e em junho essa redução foi de -2,7%.
Embora parte do aumento dos custos tenha sido repassada na cadeia, elevando o preço de venda do leite em cerca de 20 centavos por litro, os produtores de leite não conseguiram cobrir todos os custos adicionais.
O número de bovinos (carne e leite) enviados ao abate aumentou 10% em maio na comparação anual. O presidente da associação dos produtores de leite (Agaprol) chama essa realidade de “justificada, pois em muitos casos os agricultores estão tendo prejuízo”.
Espera-se que a produção de leite diminua ainda mais durante os meses de verão, quando os animais produzem menos. No outono, podem surgir problemas com o abastecimento nacional de leite, o que pode causar dificuldades para a produção de queijo em novembro.

