Essas propostas correm o risco de atrasos no processo de reuniões da UE e, por isso, podem acabar entrando no terreno da campanha eleitoral europeia no final deste ano. A comissária Stella Kyriakides (Segurança Alimentar) afirmou segunda-feira na comissão agrícola do Parlamento Europeu que há apoio parlamentar e político suficiente para concluir suas propostas.
Anteriormente, o ministro da Agricultura dos Países Baixos, Piet Adema, declarou numa reunião dos ministros da agricultura que Países Baixos não são contra a recuperação da natureza. Outros países hesitantes também afirmam não ser contra o princípio da recuperação da natureza, mas consideram que a Comissão Europeia deve disponibilizar fundos adicionais.
Quanto à lei de recuperação da natureza, ministros e políticos da UE ainda buscam muitas modificações, de modo que existe uma maioria concreta apenas em alguns pontos principais. Esse processo de negociação ocorre não apenas na comissão de agricultura do Parlamento Europeu e no Conselho da Agricultura, mas também na comissão do meio ambiente e entre os ministros do meio ambiente.
Países Baixos e outros Estados-membros acreditam que a Comissão Europeia deve destinar mais recursos para alcançar os objetivos de recuperação da natureza. Vários outros Estados-membros expressaram dúvidas sobre diferentes aspectos da legislação. Alguns países estão preocupados com o impacto sobre seu importante setor de silvicultura, enquanto outros consideram que o alcance da nova lei vai longe demais.
Isso tem provocado um aumento nas divergências dentro das instituições da UE sobre o plano de recuperação da natureza. A coordenação das leis de recuperação da natureza está principalmente a cargo da comissão ENVI de meio ambiente, enquanto a comissão AGRI de agricultura tem apenas papel consultivo. Ao final, deve-se chegar a uma posição única.
Esse procedimento abre possibilidade para atrasos e para o adiamento ou abandono das propostas, como já defendem oito países. A comissária Kyriakides sustentou na tarde de segunda-feira em Bruxelas que a Comissão pretende encaminhar antes do recesso de verão algumas propostas 'marcantes' (uso de pesticidas, bem-estar animal, recuperação da natureza) pela máquina decisória europeia.

