A dissidente bielorrussa Sviatlana Tsikhanouskaya afirmou ao Parlamento Europeu que o movimento democrático da Bielorrússia não pode esperar muito mais pela Europa. A líder da oposição exilada disse que 'as expressões europeias de solidariedade e preocupação agora devem ser transformadas em ações concretas', e que a Europa deve agir mais contra a autocracia.
Tsikhanouskaya também defendeu que a Europa e as forças democráticas bielorrussas sejam mais solidárias. “Não vamos esquecer os presos políticos bielorrussos e vamos ajudar aqueles que tiveram que deixar o país. Hoje, não depende apenas da democracia na Bielorrússia, mas também da democracia na Europa, a pergunta se seguiremos esse caminho juntos”, afirmou ela.
O presidente do PE, David Sassoli, chamou Sviatlana Tsikhanouskaya de símbolo da luta pela democracia e liberdade, e voz de muitos presos políticos que atualmente estão detidos na Bielorrússia.
A União Europeia ameaça impor sanções a empresas de transporte e operadores que colaborem com o tráfico de pessoas ou contrabando para a UE. Como consequência, companhias aéreas podem ser incluídas em uma lista negra europeia e perder temporariamente o direito de aterrissagem.
Dessa forma, a UE tenta pôr fim às ações do presidente Lukashenko da Bielorrússia. Ele traz grandes grupos de refugiados do Oriente Médio para que ingressem na UE através do seu país vizinho ocidental, a Polônia. Esses refugiados também tentam atravessar ilegalmente a fronteira com a Lituânia ou a Letônia.
Essa situação gerou nas últimas semanas condições desumanas nas fronteiras, levando Polônia, Letônia e Lituânia a instalar rapidamente grandes cercas de arame farpado. Também foram fechados postos fronteiriços.
Essa situação na fronteira da UE com a Bielorrússia não teria sido possível sem a colaboração de empresas de transporte. A Comissão Europeia anunciou a liberação de 200 milhões de euros em ajuda financeira para a Polônia e a Lituânia. Além disso, a Comissão anunciou que em breve apresentará legislação emergencial para o controle fronteiriço.
Em resposta à crise, Polônia, Lituânia e Letônia implementaram legislação nacional que permitiria os chamados 'pushbacks', o empurrar ilegal de requerentes de asilo para fora. Em um debate, a eurodeputada do Grupo Verde, Tineke Strik, apontou que quase nenhum refugiado que conseguiu entrar na Polônia tem acesso ao procedimento de asilo.
Os requerentes de asilo que agora vagueiam pelas florestas na fronteira polaco-bielorrussa deveriam, segundo Strik, ter acesso a procedimentos de asilo e acolhimento humano. “Essa crise geopolítica não pode levar ao fechamento permanente das fronteiras”, disse ela.

