No domingo, após duas semanas de negociações, a Cimeira Climática da ONU (COP25) em Madrid terminou sem um avanço decisivo. Nesta cimeira climática, o debate foi dominado especialmente pela discussão sobre regras para o comércio de direitos de emissão de CO2, sobre as quais já havia acordos no Acordo de Paris (2015).
Estabelecer um mercado global para o comércio de emissões de direitos de CO2 foca no papel do comércio de carbono para ajudar os países a reduzir sua contribuição para o aquecimento global. Mas há países que acreditam que sua própria poluição deve ser tratada com menos rigor, e que as taxas para a compra desses direitos climáticos devem ser as mais baixas possíveis.
Em contrapartida, países conscientes do meio ambiente querem reduzir a poluição ao máximo possível e evitar a criação de muitos direitos climáticos no mercado mundial. A maioria dos delegados em Madrid concordou que o Brasil bloqueou um compromisso. Esse compromisso poderia garantir a implementação contínua do Acordo de Paris.
O eurodeputado holandês Bas Eickhout (GroenLinks) liderou a delegação do Parlamento Europeu: “A grande lacuna entre a política climática global e o objetivo do Acordo de Paris não diminuiu. Isso deve ter consequências para as negociações comerciais que a União Europeia realiza com os maiores obstrutores.”
Eickhout afirmou: “Não houve progresso para alinhar os países com a meta de limitar o aquecimento a um grau e meio conforme o Acordo de Paris. O mundo ainda está a caminho de um aquecimento superior a três graus.” Ele comentou que “é positivo que a UE não tenha aceitado um acordo ruim. Brasil e Austrália são os grandes obstrutores nisso. Isso deve impactar as negociações que a UE conduz com esses países sobre novos acordos comerciais.”
“Isso significa que este tema também estará na agenda no próximo ano. É muito lamentável. Espera-se que esse tema seja concluído em junho de 2020, antes da cimeira em Glasgow no final de 2020. Esta cimeira deve ser totalmente dedicada ao aumento das metas nacionais. Por isso, esta cimeira climática será crucial. Todos os olhos agora estão voltados para China e a UE. Na preparação para Glasgow, eles terão que dar o tom. Em setembro do próximo ano, antes da cimeira climática em Glasgow, haverá também uma importante cimeira UE-China. É quando a UE deve estar pronta para tomar decisões firmes”, declarou Eickhout.
A jovem ativista Greta Thunberg criticou duramente o andamento da conferência climática em Madrid. No Twitter, na noite de sábado, ela já expressou o temor de que a cimeira fracassasse. “A ciência é absolutamente clara, mas está sendo ignorada”, disse a sueca de 16 anos. “Melhor nenhum acordo do que um acordo ruim”, afirmou Eickhout.

