O eurodeputado holandês Bert-Jan Ruissen (SGP) quer esclarecimentos da Comissão Europeia sobre o fato de um estudo sobre as possíveis consequências da estratégia "do campo ao prato" na agricultura ter sido inicialmente retido.
Ruissen pretende chamar o Comissário do Clima Frans Timmermans para prestar contas na próxima sessão plenária do Parlamento Europeu.
Esta nova estratégia alimentar foi aprovada no mês passado numa reunião conjunta da Comissão do Ambiente e da Comissão da Agricultura do Parlamento Europeu com ampla maioria, pouco depois da apresentação de um estudo do laboratório de investigação da UE, o JRC, sobre as consequências para a agricultura desta nova estratégia alimentar e de biodiversidade.
Segundo organizações agrícolas, o estudo revela que a produção agrícola pode diminuir, que os preços dos alimentos podem subir, que as importações podem aumentar e as exportações podem cair.
Desde a Comissão da Agricultura e também por muitos ministros da Agricultura, já se havia pedido uma "avaliação" dos possíveis custos nos planos climáticos do Acordo Verde, na nova Política Agrícola Comum (PAC) e na nova política alimentar F2F (do campo ao prato).
O site de notícias europeu Euractiv revelou na semana passada que o relatório do JRC estava concluído a nível técnico desde janeiro, mas que a Comissão Europeia só o encaminhou ao Parlamento Europeu em agosto — durante o recesso de verão. Os próprios investigadores enfatizam que o seu relatório não é completo e que muitas medidas ainda são incertas.
O Comissário da Agricultura Janusz Wojciechowski reagiu na semana passada com indignação à acusação da Euractiv de que teria "retido" o relatório para o enviar apenas durante o recessos das férias. Num post no Twitter, ele destacou que reteve o relatório porque os próprios investigadores já tinham constatado que o seu estudo não era completo, e, portanto, os seus cálculos também não eram.
Os investigadores do JRC salientam que não é possível prever os padrões alimentares e o comportamento dos consumidores se alguns produtos alimentares ficarem mais caros devido a normas ambientais mais rigorosas ou desaparecerem das prateleiras. Também se evidencia no estudo que os acordos comerciais ainda não protegem adequadamente a forma de lidar com a importação de produtos mais baratos, mas poluentes.
Como os políticos da UE pediram uma avaliação completa de todas as consequências, a Comissão Europeia tentou após janeiro preencher as lacunas no estudo, explicou o comissário Wojciechowski.
Só quando ficou claro também para os Comissários Timmermans, Kyriakides e Wojciechowski que a avaliação detalhada solicitada não poderia ser fornecida, decidiu-se, então, enviar o relatório às comissões ENVI e AGRI.
Wojciechowski já havia informado há duas semanas através de um post no Twitter que uma avaliação completa de todas as consequências só será possível ao longo do ano que vem, quando todos os 27 países da UE tiverem submetido os seus planos estratégicos nacionais (NSP) a Bruxelas.

