A vencedora do Prêmio Nobel iraniana Shirin Ebadi afirmou em um discurso ao Parlamento Europeu que a República Islâmica do Irã 'não pode ser reformada', mas que o país precisa de uma nova constituição.
Nas últimas semanas, protestos voltaram a ocorrer no Irã contra o sistema clerical e a repressão às forças democráticas.
Por ocasião do Dia Internacional da Mulher, a vencedora do Prêmio Nobel iraniana Shirin Ebadi e a astronauta italiana Samantha Cristoforetti foram convidadas a falar diante da assembleia plenária do Parlamento Europeu.
Shirin Ebadi recebeu o Prêmio Nobel da Paz há vinte anos por seu trabalho em prol da democracia e dos direitos humanos no Irã, especialmente os direitos das mulheres e das crianças. Samantha Cristoforetti é astronauta da Agência Espacial Europeia e a primeira comandante feminina da Estação Espacial Internacional na Expedição 68.
Em Estrasburgo, Ebadi defendeu a mudança de regime em seu país. Ela pediu por uma nova constituição que possibilite reformas profundas. Sua referência ao movimento de protesto “Mulher, Vida, Liberdade” foi aplaudida por muitos eurodeputados.
Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, elogiou o trabalho de Ebadi pela democracia e pelos direitos humanos, destacou a coragem das mulheres iranianas e afirmou que sua luta serve como "inspiração para mulheres em todo o mundo".
Os protestos renovados contra os aiatolás iranianos recomeçaram após a morte de uma mulher de 22 anos, Mahsa Amini, em setembro de 2022, enquanto estava sob custódia policial. Amini havia sido presa por usar incorretamente o véu obrigatório. As forças de segurança reprimiram brutalmente o movimento de protesto, matando mais de 520 manifestantes e mantendo mais de 19.000 detidos ilegalmente, segundo ativistas.
Após detenções ilegais e julgamentos tendenciosos, o sistema judiciário impôs penas severas, incluindo a pena de morte, contra manifestantes.

