O primeiro-ministro cessante Mark Rutte indicou o democrata-cristão Hoekstra para assumir a pasta do clima do sociodemocrata Frans Timmermans. Este último renunciou na semana passada porque retorna à política holandesa, possivelmente após as eleições parlamentares de 22 de novembro, como novo primeiro-ministro.
Há sérias dúvidas no Parlamento Europeu sobre a visão ambiental e climática de Hoekstra, visto que sua bancada democrata-cristã do PPE tem feito campanha intensa em Bruxelas e Estrasburgo contra duas propostas ‘verdes’ importantes para a restauração da natureza e para a limitação dos pesticidas na agricultura.
A presidente da Comissão, Ursula von der Leyen, quer evitar a todo custo que ‘a peça central’ da sua Comissão, o Acordo Verde, entre em zona de risco, e confiou a coordenação e a supervisão geral de todas as tarefas do Acordo Verde à sua nova primeira vice-presidente, a sociodemocrata eslovaca Maros Sefcovic. Isso significaria que Hoekstra ficará subordinado a ela.
Também está prevista para este mês uma reorganização das tarefas dentro da Comissão Europeia, com a nomeação da nova comissária búlgara Ivanova e a iminente saída da comissária dinamarquesa Margrete Verstager. Ela será mais tarde este ano a nova diretora do Banco Europeu de Investimentos.
Além disso, a nomeação é por enquanto válida por no máximo um ano, pois após as eleições europeias (junho de 2024) uma nova Comissão deve ser formada pelos chefes de estado e de governo. Não é certo se então um novo primeiro-ministro holandês defenderá a recondução de Hoekstra. Na teoria, existe a possibilidade de que o ‘primeiro-ministro Timmermans’ apresente seu predecessor ‘ex-primeiro-ministro Rutte’ como candidato.
A presidente Ursula von der Leyen entrevistará Hoekstra na terça-feira. Então ficará mais claro seu pacote de tarefas. Não se sabe se ele assumirá totalmente a pasta do clima, mas Hoekstra confirmou na sexta-feira sua ambição e chamou o aquecimento global de ‘um dos maiores temas do nosso tempo’.
Se Von der Leyen concordar com a indicação de Rutte, Hoekstra ainda terá que convencer os membros do Parlamento Europeu durante uma audiência parlamentar. Isso ocorrerá provavelmente na segunda semana de setembro. Já aconteceu antes de um candidato indicado não ser aprovado.
Os membros de esquerda do Parlamento Europeu têm fortes reservas. “Ainda não está garantido que o Parlamento o apoiará”, disse o holandês do PvdA Mohammed Chahim. “Nossa possibilidade de apoiá-lo depende se ele nos surpreender durante a audiência.
Ele terá que responder se deseja acelerar ou frear as medidas para o clima e meio ambiente. Mas não estamos muito entusiasmados com ele”, acrescentou o sociodemocrata do S&D.
Também os liberais do Renew e os Verdes em Estrasburgo já expressaram preocupações sobre a falta de ‘rumo verde’ de Hoekstra. Pode ser que a decisão dependa de um ou dois votos.

