A Comissão Europeia está tentando flexibilizar as atuais regras rigorosas contra técnicas genéticas. Os eurocomissários querem suspender temporariamente a proibição europeia à manipulação genética para uso médico, de modo que o desenvolvimento de uma vacina contra o coronavírus possa ser acelerado.
A empresa farmacêutica com a qual, entre outros, Países Baixos firmou um acordo há duas semanas também utiliza manipulação genética. Mexer no DNA dos organismos é polêmico porque é considerado uma ‘interferência na natureza’, tanto sob pontos de vista religiosos e ético-morais quanto biológico-ecológicos.
Frequentemente, faz-se uma distinção entre modificações genéticas em humanos, em animais e na natureza. A União Europeia tenta manter essa tecnologia fora de seu território, mas alguns outros países já aplicam essa técnica em alguns setores da agricultura e da pecuária. A UE proíbe a importação desses produtos.
Promotion
A eurocomissária Kyriakides convoca o Parlamento Europeu e os ministros dos países da UE a aprovarem a proposta de flexibilização o quanto antes. O Parlamento Europeu deverá votar a proposta dentro de algumas semanas. A intenção é que as flexibilizações entrem em vigor ainda neste verão.
Segundo a Comissão Europeia, é fundamental que uma vacina para o coronavírus seja desenvolvida o mais rápido possível, mas as regras rigorosas sobre manipulação genética estão dificultando esse processo. A regulamentação atual sobre modificação genética atrasa demais o desenvolvimento de uma vacina contra o coronavírus e deve ser flexibilizada, na opinião da Comissão Europeia.
As opiniões sobre manipulação genética estão fortemente divididas no Parlamento Europeu. Principalmente em termos éticos, há dúvidas sobre a segurança da técnica. Por esse motivo, a Comissão Europeia fala apenas em uma flexibilização temporária. Em debates sobre segurança alimentar, bem-estar animal e saúde pública, a rejeição à modificação genética volta a surgir repetidamente, mas ainda é rejeitada pela maioria.
Já se utiliza modificação genética em várias vacinas e medicamentos na UE, isto é, alterando DNA. Contudo, há regras rigorosas ligadas ao uso dessa técnica em medicamentos. Por exemplo, deve-se investigar os riscos ao meio ambiente. A Comissão Europeia propõe suspender temporariamente essa análise de riscos ambientais e priorizar a ‘saúde’.
Na próxima semana, de 8 a 10 de julho, o Parlamento Europeu se reunirá para discutir essa questão. O eurodeputado neerlandês Peter Van Dalen (CU) é contra a flexibilização, mas espera que a maioria seja favorável à ampliação das regras.
A comissão neerlandesa que aconselha o governo sobre modificação genética (COGEM) não vê com bons olhos a proposta da Comissão Europeia. A comissão considera que abandonar as atuais regras rigorosas é “irresponsável” e “desproporcional”, disse um porta-voz ao Reformatorisch Dagblad. Vacinas baseadas nessa técnica trazem riscos para terceiros e para o meio ambiente, afirma a COGEM.

