No Parlamento Europeu, hoje (terça-feira) será discutida pela primeira vez a renovação da política agrícola comum em função da nova situação financeira da UE.
Também será debatida a recuperação do setor agroalimentar, e os eurodeputados voltarão a defender fundos de apoio da covid para a indústria avícola. O debate ocorre após a recente apresentação do pacote de recuperação da UE e do quadro financeiro plurianual (QFP) 2021 – 2027.
Os membros do PE também questionarão o Comissário do Orçamento Hahn sobre como a Comissão pretende financiar a recuperação dos setores agroalimentares mais afetados pela pandemia. Os parlamentares têm reiterado que somente uma política agrícola da UE suficientemente financiada pode garantir a segurança alimentar e tornar a agricultura europeia mais sustentável.
Com o novo orçamento plurianual 2021-2027 e o mega-fundo covid, além das novas políticas do Clima e do Pacto Ecológico, praticamente todos os acordos orçamentários anteriores na UE estão em debate. As posições de negociação da Comissão de Agricultura estão vinculadas às receitas e despesas atuais. Mas essas já estão desatualizadas desde a última quarta-feira, e, além disso, o setor agrícola poderá recorrer ao dinheiro do (novo) fundo de recuperação covid.
Embora em Bruxelas tenha sido acordado que a atual política agrícola comum ainda possa ser mantida por um ou dois anos (de forma técnica) para ganhar tempo nas negociações de uma nova PAC, muitas organizações agrícolas e eurodeputados ainda não sabem exatamente o que podem esperar.
A comissão AGRI adotou a posição de que quer formular a nova PAC em conjunto com o grupo de Meio Ambiente + Clima da comissão ENVI. Mas ainda não está definido naquela comissão ambiental se o vice-presidente Frans Timmermans ou os ministros responsáveis também concordam...
A confederação europeia das organizações agrícolas, COPA-COGECA, pediu para incluir a agricultura no plano de recuperação covid como setor prioritário. Isso foi atendido: dezenas de bilhões extras foram liberados. Em teoria, parte dos subsídios agrícolas atuais poderá ser substituída por dinheiro do fundo de recuperação covid ou do orçamento futuro para o Pacto Ecológico de Timmermans.
Isso pode ser desejado pelo Comissário do Orçamento Hahn, mas a maioria dos eurodeputados não quer abandonar o 'sistema antigo' antes de saber o que virá em seu lugar. A maioria dos membros da comissão de Agricultura rejeita cortes no orçamento agrícola e vê as novas tarefas do Pacto Ecológico, segurança alimentar, biodiversidade e políticas climáticas como exigências que principalmente atrapalham o trabalho da agricultura e horticultura.
Devido à crise do covid e ao fechamento por semanas de restaurantes, hotéis e serviços de catering em toda a UE, a crise é especialmente grave nas indústrias avícola e de carne. Pelas medidas de fechamento, todo o consumo de carne e produtos lácteos fora de casa foi interrompido. Isso representa de 20 a 40% da produção, variando por país da UE. E para algumas aves quase 100%, especialmente nas “espécies pequenas” como pato, pombo e codorna.
Isso levou a uma situação desesperadora de excesso de oferta em vários países da UE. A COPA-COGECA calculou que, desde o início da crise, um bilhão de galinhas desapareceram, incluindo patos e codornas. A curto prazo, para evitar o colapso total do setor e garantir a segurança alimentar, os avicultores europeus pedem apoio da UE para manter suas fazendas, investimentos e empregos.
“Não podemos esperar anos até que essa ajuda nos chegue por canais burocráticos complexos e confusos, precisamos dela agora. A situação no terreno requer ação urgente. Ao mesmo tempo, no caso específico das aves, o apoio ao armazenamento privado seria muito útil enquanto a hotelaria estiver fechada”, assegura a COPA-COGECA.

