A bancada liberal no Parlamento Europeu apresentou suas próprias propostas para novos acordos migratórios com países ao redor da Europa. Em sua visão sobre asilo e migração, para a bancada Renew Europe da UE, controle da migração é a palavra-chave.
O plano é focado em acordos entre a UE e países em torno da Europa para garantir acolhimento digno a refugiados na própria região. Nas fronteiras externas, deve haver nos “centros de recepção” uma seleção entre requerentes de asilo promissores e não promissores. Migrantes de países seguros devem ser rapidamente devolvidos e os requerentes promissores são distribuídos pelos países da UE. Países de origem que não colaborarem podem ser pressionados por meio de “sanções de visto” no plano.
Assim, o plano apresenta muitas semelhanças com o chamado acordo com a Turquia preparado há alguns anos pela chanceler alemã Merkel e pelo premier holandês Mark Rutte. Nessa negociação, a Turquia recebeu da UE alguns bilhões em apoio econômico e financeiro para acolher refugiados da Síria e do Iraque. O plano agora proposto pelos liberais da UE é não apenas mais amplo e específico, mas também mais abrangente.
A bancada liberal Renew Europe destaca que, em um mundo que muda cada vez mais rápido, as regras atuais da UE para acolhimento e admissão de refugiados e requerentes de asilo não são mais adequadas e, às vezes, até entram em conflito com outras regras da UE, como a respeito da ‘livre circulação de pessoas’. Também se constata com frequência crescente que os refugiados não são impedidos pelas regras nacionais dos países membros individualmente.
O vice-presidente da bancada, Malik Azmani (VVD), contribuiu para o plano político entregue à Comissão Europeia na terça-feira. A nova Comissão Europeia apresentará ainda este ano suas próprias propostas para quebrar o impasse europeu sobre a política migratória. O liberal holandês Azmani já foi um dos defensores do acordo com a Turquia.
“Se não fizermos nada agora, não podemos descartar uma repetição da crise migratória de 2015”, disse Azmani ontem em entrevista coletiva em Estrasburgo. Ele deixou claro que os liberais querem deslocar a discussão de mais ou menos refugiados para o controle do fluxo de refugiados.
Outros pontos são o fortalecimento da vigilância nas fronteiras externas da UE, o registro obrigatório de migrantes e o combate às viagens indesejadas de requerentes de asilo pelos Estados membros. Além disso, a UE deve garantir melhor coordenação da política de migração laboral, que deve continuar sendo competência nacional.
Se depender dos liberais, os países da UE selecionarão migrantes laborais de uma “piscina europeia de talentos”. O importante é que possam retornar facilmente ao próprio país. A Renew finalmente pede que os Estados membros coloquem a participação no centro de suas políticas de integração.
A eurodeputada do GroenLinks Tineke Strik, em resposta, afirma que o plano não alivia a pressão sobre países nas fronteiras externas europeias e sobre campos de refugiados superlotados. Ela apontou que, atualmente, 5 dos 28 países da UE acolhem três quartos dos requerentes de asilo. Para realmente dividir a responsabilidade de forma justa, segundo Strik, os requerentes de asilo deveriam ser distribuídos por todos os Estados membros logo após o registro.

