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Macron critica Merkel e Rutte por frear dívidas europeias relacionadas ao coronavírus

Iede de VriesIede de Vries
Reunião do Conselho Europeu em Bruxelas. Declaração de Emmanuel MACRON, Presidente da França.

O Parlamento Europeu apela aos líderes governamentais europeus para que assumam conjuntamente dívidas para enfrentar a crise do coronavírus. Em uma resolução, o parlamento pede um amplo plano de recuperação, bem como o aumento do orçamento plurianual da UE de 2021 a 2027 e a emissão de eurobônus para financiar os investimentos necessários na reconstrução.

Na resolução, o Parlamento acolhe as medidas orçamentárias e o apoio à liquidez da UE para enfrentar as consequências da pandemia. Além do que já está sendo feito, a Europa precisa de um pacote abrangente de recuperação e reconstrução que deve ser financiado por um orçamento de longo prazo mais amplo (MFF), fundos e instrumentos financeiros existentes da UE, bem como por “obrigação de recuperação” garantidas pelo orçamento da UE. Esse pacote, porém, não deve incluir a partilha das dívidas existentes, mas deve focar em investimentos futuros.

O Parlamento ressalta também que a crise da Covid-19 demonstrou acima de tudo a importância da ação conjunta europeia. A União Europeia deve emergir desta crise mais forte, além de ganhar competências para agir em casos de ameaças transfronteiriças à saúde.

Segundo o presidente do Parlamento, David Sassoli, a resolução deixa claro que o parlamento deseja ir além dos ministros das Finanças da zona do euro (Eurogrupo). Na semana passada, esses ministros fecharam um acordo sobre um pacote de auxílio de 540 bilhões de euros para o curto prazo, mas não conseguiram concordar sobre a emissão de eurobônus para financiar a reconstrução após a crise, principalmente porque a Holanda e a Alemanha bloquearam essa medida.

A palavra eurobônus para o fundo de recuperação, portanto, não aparece no acordo, sendo mencionados apenas “instrumentos financeiros inovadores”. Espera-se que a solução para o impasse venha dos líderes governamentais que discutirão o assunto na próxima semana em uma cúpula por videoconferência. Segundo Sassoli, as “obrigações de recuperação” são necessárias para uma solução solidária para os Estados-membros mais afetados, e o parlamento quer que os governos unam esforços.

Em entrevista ao jornal britânico Financial Times, o presidente francês Macron criticou a Holanda e a Alemanha. Esses dois países são muito relutantes em que a UE assuma obrigações de dívida. O francês afirma que os eurobônus são necessários para ajudar países como a Itália. De acordo com ele, é preciso olhar para frente, para o futuro. Holanda e Alemanha estariam preocupadas demais com dívidas e problemas orçamentários do passado. Macron diz manter contato constante com Rutte e Merkel sobre o assunto. Ele alerta que eles devem colaborar numa solução conjunta, pois, caso contrário, os populistas irão se aproveitar dessa crise.

Este artigo foi escrito e publicado por Iede de Vries. A tradução foi gerada automaticamente a partir da versão original em neerlandês.

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