Funcionários europeus negam que tenha sido decidido dentro da UE 'adiar indefinidamente' dois textos legislativos planejados sobre o uso de pesticidas. E que para o Green Deal e o de produtor para consumidor não será um caso de 'adiar significa cancelar'. Oficialmente, afirmam que os dois textos legislativos 'não estão mais na agenda de curto prazo'.
Apenas o Comissário da Agricultura Janus Wojciechowski admitiu na quarta-feira que a segurança alimentar por causa da guerra russa na Ucrânia é agora uma prioridade máxima. Por isso, não só será aberto o fundo de emergência agrícola, como também (ainda que apenas este ano!) será dispensada a obrigação de deixar terras de pousio em cerca de quatro milhões de hectares.
Mas Wojciechowski deixou claro novamente que toda a Comissão Europeia, incluindo ele próprio, mantém a visão futura do Green Deal e do de produtor para consumidor. Ele chamou a manutenção atual da produção alimentar europeia de prevenção a uma situação de emergência, e a transição para uma agricultura mais sustentável algo 'para o médio prazo', sem mencionar um ano específico.
No Parlamento Europeu, o debate político sobre as restrições ambientais e climáticas na agricultura também foi reacendido. O Parlamento Europeu apoia o pacote de ações agri com uma resolução própria que foi coassinada pelo holandês do PvdA Mohammed Chahim.
Ele apela não só para usar terras deixadas em pousio, mas também para combater o desperdício de alimentos. Anualmente, cerca de 88 milhões de toneladas de alimentos são desperdiçados na UE.
“Há quase um mês o mundo virou de cabeça para baixo. A invasão da Rússia na Ucrânia tem muitas consequências que também sentiremos na Europa. Precisamos garantir nosso próprio abastecimento alimentar, sem que isso prejudique os objetivos do Green Deal, da biodiversidade e da estratégia do produtor para consumidor”, declarou Chahim.
Mas a EPP cristão-democrata quer, juntamente com liberais, independentes e o conservador ECR, incluir na resolução uma disposição para desistir completamente da proibição de químicos na agricultura. Chahim alerta que 'não devemos aproveitar a guerra na Ucrânia para suspender as medidas climáticas'. Se uma maioria de centro-direita no PE quiser fazer isso, os membros do PvdA vão votar contra a resolução, indicou Chahim.
O membro do SGP, Bert-Jan Ruissen, é um dos eurodeputados que insiste no adiamento do Green Deal. Ele pede uma avaliação de impacto que leve em conta as consequências da guerra na Ucrânia sobre a segurança alimentar. "Teria sido muito inadequado que a Comissão propusesse hoje retirar 10% das terras agrícolas da produção", declarou Ruissen quando questionado.
O eurodeputado do GroenLinks, Bas Eickhout, já havia expressado preocupação de que a situação na Ucrânia fosse usada para retroceder nos avanços da sustentabilidade na agricultura. Além disso, segundo ele, a crise atual deveria ser uma lição para que a agricultura europeia dependa menos da importação de matérias-primas de países fora da UE.

