O novo comissário europeu do Green Deal, Maroš Šefčovič, afirmou imediatamente após sua nomeação que não pretende enfraquecer ou adiar as políticas ambientais e climáticas de seu antecessor Frans Timmermans.
O social-democrata eslovaco disse, porém, que Bruxelas precisa melhorar a comunicação com empresas preocupadas com os custos da transição climática. A bancada do Partido Popular Europeu (PPE) no Parlamento Europeu chamou a troca de função de “uma oportunidade”.
Šefčovič afirmou que é uma honra dar continuidade ao Green Deal europeu. A Europa quer ser neutra em carbono até 2050. O social-democrata de 57 anos é membro da Comissão Europeia desde 2009. Desde o final de 2019, é um dos vice-presidentes da Comissão.
Šefčovič disse a jornalistas em Bruxelas: “Não vamos diluir nossa ambição. Porém, acredito que devemos responder de forma mais rápida, antecipada e precisa a algumas preocupações naturais que existem em certos setores.” Ele não entrou em detalhes.
A UE tem enfrentado nos últimos meses resistência de alguns países-membros em relação aos custos das medidas climáticas. Por exemplo, a Polônia está processando Bruxelas (ao menos é essa a alegação na campanha eleitoral), enquanto políticos do centro-direita europeu têm feito campanha contra a lei de restauração da natureza e contra a redução do uso de produtos químicos na agricultura.
“Na minha opinião, a redistribuição de competências é uma oportunidade”, diz o eurodeputado alemão Peter Liese, porta-voz do PPE na comissão ambiental ENVI. Šefčovič deverá concluir as leis restantes deixadas por Timmermans. Liese diz ter conhecido Šefčovič como um pragmático. O PPE espera que Šefčovič examine mais detalhadamente as exigências do setor agrícola.
Šefčovič, como comissário do Green Deal e primeiro vice-presidente, terá competências abrangentes sobre os comissários “ordinários” de Agricultura (Wojciechowski), Meio Ambiente (Sinkevicius), Alimentação e Saúde (Kyriakides) e Clima (Hoekstra).
A descrição das tarefas do novo comissário holandês Hoekstra ainda não foi definida; a comissão ambiental ENVI precisa aprovar sua nomeação na próxima semana. O fato de as responsabilidades climáticas do social-democrata Timmermans parecerem ser transferidas para o democrata-cristão Hoekstra desagrada a ala centro-esquerda em Estrasburgo.
Muitos eurodeputados veem a nomeação pretendida de Hoekstra como uma tentativa de Von der Leyen de manter, por um lado, os objetivos do Green Deal e, por outro, atender às críticas das bancadas centro-direita sobre a excessiva influência ambiental na política agrícola comum.
Se Hoekstra não conseguir a maioria de dois terços necessária na comissão ambiental ENVI em 11 de setembro, Von der Leyen terá que optar por uma redistribuição mais ampla de tarefas na Comissão. Isso pode acontecer no outono, já que dois outros comissários deixarão o cargo antes do término do mandato e terão que ser substituídos.
Se a votação em Estrasburgo estiver muito apertada por um ou dois votos, Hoekstra ainda poderá retirar sua candidatura por vontade própria.

