A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, que deverá liderar a nova Comissão Europeia em duas semanas, exorta os políticos europeus a agir rapidamente, agora que 3 dos 26 membros de sua equipe foram rejeitados pelo Parlamento Europeu. Ela teme um atraso grave, pois aparentemente, no último momento, também será necessário encontrar outro comissário francês.
A francesa Sylvie Goulard não conseguiu obter o apoio da maioria do Europarlamento. Após uma rodada de preparação escrita e duas audiências orais, os grupos cristão-democrata EPP e social-democrata S&D se abstiveram da votação, apenas o grupo liberal Renew votou a favor, enquanto os Verdes, a Esquerda Unida e os conservadores ECR votaram contra.
A principal razão apontada pela maioria dos grupos é a investigação judicial ainda em curso na França contra a ex-ministra por possível fraude com subsídios da UE. Alguns críticos nos corredores de Bruxelas afirmam que também se trata de uma forma de retaliação contra o presidente francês Macron, que no início deste ano ignorou e contornou o Parlamento Europeu ao não querer ‘spitzenkandidaten’ na nova Comissão Europeia.
Em uma primeira reação, o presidente francês Macron acusou Von der Leyen de não ter conseguido angariar apoio suficiente para sua candidata e disse que ela lhe assegurou que os três grandes grupos apoiariam Goulard. Imediatamente, os líderes dos três grupos negaram ter sido consultados por VDL, o que colocou Macron publicamente como mentiroso.
A liberal Sylvie Goulard teria recebido a pasta do mercado interno, indústria de defesa e espaço, mas agora a França precisa buscar outra candidata. Embora Macron, em teoria, ainda possa manter sua indicação, o tom de sua coletiva de imprensa deixa claro que está disposto a sacrificar Goulard desde que a França receba as influentes pastas de Concorrência, Indústria de Defesa e Espaço.
França, Romênia e Hungria agora devem apresentar candidatos que possam obter a aprovação do Parlamento Europeu, que, segundo o cronograma, votará sobre toda a equipe em 23 de outubro. A eurodeputada do VVD, Liesje Schreinemacher, considera “particularmente decepcionante” que Goulard não tenha conseguido aprovação. Segundo ela, a ex-ministra demonstrou ter as capacidades adequadas durante as audiências, mas não recebeu apoio por outras razões.
A maioria dos partidos que votaram contra, incluindo o CDA, apontaram para a falta de integridade de Goulard, em parte devido a rendimentos paralelos em um think tank americano. Segundo Kim van Sparrentak (Verdes), Goulard “não foi convincente quanto ao conteúdo e não mostrou compreensão sobre questões éticas. A Comissão Europeia deve ser um exemplo de ética e integridade.”
Ursula von der Leyen já se reuniu ontem à tarde com os presidentes dos três maiores grupos e com o presidente do Parlamento. Caso o prazo de 1º de novembro não seja cumprido, a Comissão de Jean-Claude Juncker terá que continuar dirigindo a administração diária da UE por mais tempo.

