Após meses de protestos de agricultores, Bruxelas anunciou procedimentos mais flexíveis, assim como o cancelamento de algumas exigências ambientais na política agrícola da PAC. Os ministros da agricultura já manifestaram apoio a esses planos para eliminar a proteção ambiental da agricultura.
Organizações como Greenpeace e o Fundo Mundial para a Natureza apelam a Bruxelas para que respeite as regras democráticas vigentes há anos. Elas ressaltam que uma alteração na política europeia sempre é precedida por uma extensa rodada de consulta e participação. Dessa vez, tudo isso foi ignorado.
A Comissão reconheceu que nenhuma avaliação de impacto foi realizada devido à “urgência política” e à “situação de crise”. Tudo indica que os partidos de centro-direita em Estrasburgo, com o apoio de conservadores, extrema-direita e nacionalistas, aprovarão as flexibilizações.
Isso ocorrerá na última reunião deste parlamento, pois em junho será eleito um novo Parlamento Europeu nos 27 países da UE. Caberá aos atuais Comissários converter essas flexibilizações em textos jurídicos de tratados. Algumas partes poderão ser tratadas diretamente com os países da UE nos planos estratégicos nacionais, mas outras exigirão uma adaptação (interina) da política agrícola da PAC (2023-2027), com o apoio dos ministros e do Parlamento Europeu.
Ainda não está claro se o atual Comissário do Meio Ambiente Sinkevicius e o Comissário da Agricultura Wojciechowski conseguirão implementar isso ainda este ano, ou se deixarão para seus sucessores, que serão nomeados no final deste ano.
“Com esta proposta legislativa, a Comissão Europeia cedeu à falsa narrativa de que meio ambiente e agricultura estão em conflito, embora as evidências mostrem que são interdependentes”, afirmam os signatários da carta. “Ao priorizar considerações eleitorais, a Comissão Europeia rompeu com anos de progresso na área do Green Deal da UE”, acrescentaram.

