Empresas britânicas querem participar das negociações sobre um novo acordo comercial com a União Europeia. Isso foi comunicado pela maior organização patronal do Reino Unido, em resposta à recente reunião da presidente da CE, Ursula von der Leyen, com o primeiro-ministro britânico Boris Johnson.
Bruxelas afirma que será impossível concluir um acordo comercial completo dentro dos próximos onze meses. Johnson declarou que é “provável” que um acordo comercial amplo seja alcançado até o final do ano, embora preparativos estejam sendo feitos para o caso de isso não acontecer.
Um dos pontos de discórdia está relacionado à pesca. Os britânicos querem que os barcos de pesca dinamarqueses, alemães e holandeses saiam imediatamente das novas águas territoriais britânicas após o Reino Unido deixar a UE (31 de dezembro de 2020).
Segundo relatos, o negociador da UE Michel Barnier já indicou a Londres que só será possível discutir um acordo comercial amplo e geral com a UE se, primeiro, já nos próximos meses, “o acordo sobre pesca for revitalizado”. Além disso, os britânicos terão que concordar que o princípio do “campo de jogo nivelado” será aplicado a todas as atividades econômicas.
O Reino Unido poderia, finalmente, conceder às frotas pesqueiras da UE acesso às águas britânicas em troca de condições favoráveis para transações financeiras no continente, afirmou o comissário europeu para Comércio, Philip Hogan. O comissário irlandês será uma das figuras-chave na próxima rodada de negociações do Brexit. Sua sugestão provavelmente irritará os defensores do Brexit, que consideram os direitos de pesca uma parte importante da soberania britânica, apesar do papel marginal que a indústria pesqueira tem na economia do Reino Unido, representando cerca de um décimo por cento do produto interno bruto nacional.
Segundo o primeiro-ministro britânico Johnson, trata-se de construir uma “nova relação fantástica” com a UE e ele está muito confiante no sucesso. Os empresários pedem que o governo britânico trabalhe “estreitamente” com o setor empresarial. Para a CBI, as empresas devem participar em todas as fases das negociações. A organização já realizou algum trabalho preliminar e tem diversos modelos de possíveis acordos comerciais prontos.
O maior medo dos empresários é que ocorra, ainda este ano, uma ruptura abrupta na relação comercial com a UE (Brexit sem acordo). Isso pode acontecer se, até lá, não houver um acordo comercial e o período de transição não for prorrogado.
Espera-se que o Reino Unido deixe a UE no dia 31 de janeiro, mas continuará vinculado às leis e regulamentos europeus até o fim do ano. Johnson já indicou que não deseja estender esse período de transição.
O Parlamento Europeu em Estrasburgo aprovou em uma resolução preliminar não vinculativa um apelo à Comissão Europeia e aos países da UE para que não aprovem um acordo do Brexit enquanto não forem garantidos todos os direitos dos cidadãos da UE no Reino Unido. Os países da UE já prometeram aos britânicos residentes e trabalhadores no continente que eles manterão todos os seus direitos atuais após o Brexit. O governo britânico ainda não deu tal garantia aos cidadãos da UE.
Por isso, corre-se o risco de que cidadãos da UE percam o direito de voto no Reino Unido, caso não se registrem como imigrantes. Também há ameaças de perda de alguns direitos sociais relacionados a moradia e custos de saúde. A resolução será votada na quarta-feira em Estrasburgo. O Parlamento Europeu é – junto com o Conselho da UE e a Comissão Europeia – uma das três instituições da UE que precisam aprovar o acordo do Brexit.
O político britânico anti-UE Nigel Farage classifica as preocupações e objeções do Parlamento Europeu como uma última tentativa de impedir a saída do Reino Unido da UE. A votação final está prevista para a sessão plenária de 29 de janeiro em Bruxelas.

