O Parlamento Europeu instou a Comissão Europeia a iniciar ‘imediatamente’ um ‘processo de infração’ contra a Hungria por violações do Estado de Direito. Essa possibilidade legal é recente, mas a presidente da Comissão, Ursula von der Leyen, ainda hesita em usar esse instrumento.
Se a Comissão não agir rapidamente contra a Hungria, o Parlamento Europeu ameaça levar o próprio órgão da Comissão ao Tribunal de Luxemburgo.
A Hungria está mal vista pela Comissão Europeia e pelo Parlamento Europeu devido às ações do primeiro-ministro Viktor Orbán contra os meios de comunicação, o sistema judicial independente e os direitos das minorias. As relações com a UE se agravaram nas últimas semanas desde que a Hungria aprovou uma alteração legal que proíbe a ‘propaganda LGBTI’ para menores.
Quando um país da UE viola o Estado de Direito, recebe um aviso baseado no ‘procedimento do Estado de Direito’. Se a situação não melhorar, pode ser iniciado um procedimento do artigo 7, pelo qual um Estado-membro pode ser suspenso: perde o direito de voto nas reuniões dos Conselhos de Ministros da UE.
Os líderes governamentais e chefes de Estado europeus tentaram impedir sanções tão drásticas a Orbán em dezembro de 2020 com uma decisão de adiamento. Em uma resolução aprovada na quinta-feira por 529 votos a favor, 150 contra e 14 abstenções, o Parlamento Europeu lamenta que a Comissão aparentemente ceda a essa pressão.
A suspensão dos pagamentos seria um novo teste para essa legislação da UE. O governo húngaro contestou a lei no Tribunal de Justiça Europeu. Por isso, a Comissão ainda está cautelosa. Mas a presidente Von der Leyen deixou claro em um debate em Estrasburgo que a Hungria será confrontada neste outono.
Bruxelas atualmente retém a aprovação do pagamento do plano de recuperação da Hungria para a pandemia. O projeto de Budapeste é considerado insuficiente no que toca a medidas anticorrupção, segundo autoridades. O pedido da Hungria para receber € 7,2 bilhões do fundo de recuperação não será aprovado até o prazo de 12 de julho.

