O Parlamento Europeu aprovou um relatório crítico sobre irregularidades no transporte de gado, especialmente na exportação para países fora da UE. O Parlamento defende que haja um tempo máximo de transporte de 8 horas, o que efetivamente põe fim a esses tipos de transporte. As irregularidades já causaram muita indignação nos últimos anos.
Mas a maioria do Parlamento Europeu rejeitou três emendas (duas dos Verdes e uma do Partido pelos Animais) para encurtar ainda mais o transporte ou proibi-lo totalmente. As restrições agora propostas dizem respeito apenas ao transporte de gado para abate, e apenas sobre o transporte rodoviário e aéreo. Os muito criticados transportes em navios antigos estão fora dessas restrições.
Além disso, a maioria plenária em Estrasburgo suavizou duas recomendações do relatório de investigação relacionadas ao transporte de animais não desmamados e de animais grávidos.
Defende-se, entretanto, novas competências para atuar contra transportes com veículos inadequados, e os países da UE devem intensificar muito a fiscalização e o controle. Para alguns eurodeputados, muitas das 139 recomendações ainda vão longe demais, e para outros, não vão longe o suficiente. A presidente da comissão parlamentar de inquérito, Tilly Metz (Os Verdes, Luxemburgo), defendeu o compromisso agora alcançado. Ela destacou que, com a proibição de transportes superiores a oito horas, cerca de oitenta por cento dos controversos transportes marítimos dos portos romenos serão impossibilitados pelos países da UE.
O eurodeputado holandês do PvdA Mohammed Chahim declarou em uma reação: “Todos conhecemos a triste história das centenas de vacas que no início do ano passado ficaram à deriva no mar por meses. Sofrimento animal inútil que poderia ser facilmente evitado com regulamentação europeia clara. Quero leis ambiciosas que determinem: até aqui e não mais além. No transporte de animais, o bem-estar deve estar acima do lucro.”
A eurodeputada Anja Hazekamp (PvdD), por outro lado, considera que ainda há muitas exceções permitidas. “Os países europeus ignoram as regras e ninguém age contra isso. A UE simplesmente não cumpre seu dever de cuidar dos animais. É uma vergonha e uma oportunidade perdida que o Parlamento Europeu não tenha feito recomendações mais rigorosas”, disse Hazekamp, que por isso votou contra as recomendações.
Bert-Jan Ruissen (SGP) absteve-se da votação. Ele acredita que primeiro os países da UE devem fiscalizar e aplicar as regras rigorosas já existentes. Além disso, ele não quer leis e regras baseadas em emoção ou sentimentos, mas nos resultados de pesquisas científicas. Essa foi também a argumentação da LTO anteriormente. “Infelizmente, devo constatar que para algumas recomendações na resolução falta uma base científica, o que me levou a me abster na votação final”, disse Ruissen.

