O Parlamento Europeu considera que o primeiro-ministro tcheco Babiš não deve mais negociar em nome da UE as subsídios para suas próprias empresas agrícolas. O Parlamento Europeu afirma que a UE finalmente deve ativar os novos procedimentos punitivos do ‘mecanismo de condicionalidade’.
Babiš é fundador e proprietário da Agrofert, um conglomerado de mais de 200 diferentes empresas agrícolas. Embora a gestão diária tenha sido transferida para duas holdings, ele continua sendo o beneficiário final. A Agrofert também está entre os maiores beneficiários das subsídios agrícolas da UE.
A eurodeputada holandesa Lara Wolters (PvdA) participou da redação da resolução. “Babiš abusa de sua posição nas mesas de negociação europeias para se aproveitar da distribuição do dinheiro europeu. Isso prejudica a confiança dos contribuintes europeus na UE. Por isso, esta resolução afirma que a Comissão Europeia não deve hesitar em usar seu novo poder”.
Em uma resolução (505 votos a favor, 30 contra, 155 abstenções), os eurodeputados lamentam que o governo tcheco tente legalizar os conflitos de interesse de Babiš. Eles também discordam do método punitivo que a Comissão Europeia deseja aplicar: reter subsídios da UE para projetos tchecos. Segundo os políticos europeus, isso acaba afetando os cidadãos tchecos.
Ressaltam que “os cidadãos e contribuintes tchecos não devem arcar com as consequências decorrentes do conflito de interesses do primeiro-ministro Babiš e exigem que as empresas do grupo Agrofert devolvam todos os subsídios recebidos ilegalmente.
Os membros do Parlamento Europeu entendem que a presidente da Comissão, Ursula von der Leyen, agora deve ‘finalmente’ ativar o mecanismo de condicionalidade para proteção do orçamento da União. Este mecanismo foi criado há alguns anos para — como medida extrema — suspender temporariamente o direito a voto de ‘infratores do estado de direito’, como o nacionalista húngaro Orbán e os conservadores poloneses, na UE.
Até o momento, chefes de Estado e de governo têm se oposto a essa abordagem rigorosa, inclusive contra a Hungria, o que faz com que os Comissários Europeus ainda não ousem aplicá-la contra a República Tcheca.

