A Comissão Europeia irá propor ao Parlamento Europeu e aos Estados-membros da UE a legalização do controverso armazenamento de dados da organização policial da UE, a Europol.
Na semana passada, revelou-se que a Europol não apagava dados sobre suspeitos após seis meses – conforme atualmente exigido. Além disso, esses dados pessoais continuavam a ser compartilhados com outras forças policiais por longos perÃodos.
A Comissão Europeia não pretende reverter essa prática, mas sim legalizá-la. Em breve, negociações trilaterais entre o Parlamento Europeu, a Comissão e os Estados-membros terão inÃcio sobre essa proposta.
"A proposta legaliza a prática atual da Europol", confirma a eurodeputada neerlandesa Tineke Strik (Verdes/Esquerda). "Além disso, a Europol receberá ainda mais poderes para extrair informações dos bancos de dados e para adicionar dados a esses arquivos."
Strik espera que principalmente os paÃses da UE e a Comissão pressionem pela ampliação das competências da Europol. Segundo ela, o Parlamento está dividido, mas, em geral, é mais crÃtico em relação a essas questões de privacidade.
Vasculhar e limpar todos os dados será uma tarefa árdua, já que a Europol teria cerca de 4 petabytes de dados, segundo o jornal britânico The Guardian. Isso equivale a centenas de bilhões de páginas impressas cheias de informações.
Defensores da proteção de dados afirmam que a quantidade de informações nos sistemas da Europol equivale a uma vigilância em massa e poderá tornar-se o equivalente europeu da Agência Nacional de Segurança dos EUA (NSA). A espionagem clandestina online desta última foi revelada há alguns anos pelo denunciante Edward Snowden.
O neerlandês Frank van der Linde é, até onde se sabe, a única pessoa registrada injustamente na base de dados da Europol e que também descobriu isso por conta própria. Segundo uma decisão judicial posterior, ele foi incorretamente qualificado como extremista pela polÃcia neerlandesa.
Van der Linde conseguiu acessar seu dossiê graças a uma decisão judicial e descobriu que seus dados neerlandeses também foram transmitidos à Europol. Inicialmente a polÃcia neerlandesa negou, mas depois admitiu relutantemente.

